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CRÍTICA | A Torre Negra parece uma história contada em modo rápido


A Torre Negra estreou nesta quinta, 24, nos cinemas do país. O filme é uma leitura (não uma adaptação) da prolífica série de Stephen King, considerada uma obra-prima pelos fãs do autor (são 4.000 páginas de fábula). Existem duas maneiras de entrar na sala de cinema: com expectativa e sem expectativa.

Para quem não leu todos os oito livros, parece uma história contada no modo rápido, como se apertassem o fast foward no controle remoto enquanto a trama se desenrola na tela. Flashbacks pipocam para contextualizar uma cena ou outra, enquanto outras cenas simplesmente acontecem rápido demais, como uma luta resolvida em segundos ou uma situação criada sem maiores explicações, para depois ser compreendida pelo próprio contexto em que se apresenta. A Torre Negra mesmo, aquela que deve ser protegida para que os mundos não desmoronem, não parece ser mais do que um peão nesse xadrez.

Os personagens também poderiam ter sido melhor desenvolvidos. Eles parecem ter mais história pra contar, das batalhas que travaram, das perdas pelas quais passaram e o quanto amadureceram com isso. O mundo alternativo de Roland Deschain, o último pistoleiro do Mundo Médio, apareceu em versão resumida (li que é um mundo bem interessante nos livros, com várias criaturas bizarras e fantásticas, mas que foram meramente aproveitadas aqui). O filme se resume mesmo no jogo de gato e rato entre Roland e o Homem de Preto, com efeitos especiais interessantes e algumas piadinhas sem graça aqui e ali. Fica a sensação de que há mais pra ser explorado na saga e nas notórias metáforas de King.

Dito isso, gostei do elenco principal. Não idealizei ninguém nos papeis, então o fato de terem escolhido Idris Elba para um papel que foi originalmente inspirado em Clint Eastwood não me incomodou nem um pouco. Idris convence como heroi, é lacônico porém carismático e tem uma boa química com Tom Taylor, intérprete do menino Jake Chambers que tem visões do Mundo Médio, da Torre Negra e das batalhas épicas entre o bem e o mal. É incrível ver Roland manuseando a arma agilmente, acertando o inimigo com apenas um tiro certeiro, enquanto tenta se convencer que ainda pode ser o Pistoleiro que “mira com o olho, atira com a mente e mata com o coração”.  Taylor também tem uma atuação correta e consegue segurar o peso de contracenar com dois grandes nomes do cinema. Já Matthew McConaughey, que interpreta o Homem de Preto, opta por um vilão dramático e até meio teatral nos gestos e caretas, o que pode desagradar alguns. Mas é tão carismático e bom ator que não há como tirar os olhos dele. 

Pelo que conheço da saga de King, acho compreensível a ira dos fãs pelas escolhas do diretor Nikolaj Arcel. Minha impressão é a de que o filme não transmitiu a essência dos livros, não teve o aprofundamento que merecia, e que foi resumido superficialmente para se encaixar num padrão de público de filme de ação. Diante de uma obra tão querida pelos leitores, o diretor poderia ter se esforçado mais. Não é um filme horrível como li por aí, mas também não é o clássico que poderia ser. Quem não sabe nada sobre a série vai ver nele mais um filme pra assistir comendo pipoca. Quem conhece, no entanto, deve se decepcionar.

Nota 6.

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