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ENTREVISTA: Gustavo Ávila está sorrindo à toa


Um dos escritores mais comentados do ano foi Gustavo Ávila. Publicitário, ele nasceu em 1983 no interior paulista mas atualmente mora em Florianópolis.  Seu livro O sorriso da hiena, um thriller psicológico viciante publicado pela Verus Editora, só arranca elogios dos leitores que decidem embarcar na jornada de descobrir o mistério por trás de uma história tão bem imaginada. Conversamos com Gustavo sobre expectativas, projetos para 2018 e como ele encarou todo o sucesso deste ano.

(Foto: Jeferson Caldart)

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1. Seu livro de estreia, O sorriso da hiena, foi bem recebido pelos leitores. Você esperava todo esse retorno já de cara? Quais eram as suas expectativas?
Eu estava bastante ansioso para saber como seria a recepção dos leitores. Mas, sinceramente, eu não tinha a menor ideia de como ela seria. Eu estava confiante porque foi uma história em que eu me dediquei bastante, coloquei toda a minha alma neste primeiro livro e achava (acho) que ele realmente tem algo a dizer que possa interessar às pessoas. Mesmo assim, foi bem melhor do que eu esperava. E isso é maravilhoso. Ter um retorno tão positivo no primeiro trabalho é um grande incentivo para não deixar que as dificuldades do caminho te desanimem.

2. Quais escritores (as) te influenciaram? Algum nome em especial relacionado a “O sorriso da hiena”?
Eu tenho um carinho especial pelo livro O médico e o monstro, do Robert Louis Stevenson. Ele conseguiu escrever uma história que faz o leitor pensar enquanto lê, que retrata bem o que somos, nosso lado bom e mau e nossa tentativa de balancear esses dois lados. Eu espero conseguir fazer isso em todas as minhas histórias, fazer os leitores pensarem sobre algum assunto. Fazer com que a história continue martelando na cabeça da pessoa mesmo depois do último ponto final. Pelo menos é o que eu tento.
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Eu tenho um carinho especial pelo livro O médico e o monstro, do Robert Louis Stevenson. Ele conseguiu escrever uma história que faz o leitor pensar enquanto lê.”

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3. Você é publicitário mas acabou se dedicando à literatura. Ser escritor sempre foi um objetivo na vida ou foi algo que acabou acontecendo para você?
A minha resposta não vai ser “eu sempre quis ser escritor desde criancinha”. Acabou acontecendo. Eu entrei no mundo da escrita por acaso, quando um professor da faculdade foi me contratar para a agência dele e disse que me contrataria, mas que seria para redator. Eu queria um emprego e aceitei. E foi a melhor coisa. Ele viu em mim algo que nem eu ainda tinha visto. Depois, trabalhando na área, tentando colocar algumas ideias publicitárias na rua que eu percebi que essas ideias seriam melhor exploradas fora da publicidade, com mais profundidade. E assim, de forma bem resumida, comecei. Vale ressaltar como é importante um bom professor. Como devemos tanto a eles, por nos mostrarem caminhos, possibilidades. Pena que eles são tão desvalorizados. Mas que bom que mesmo assim eles nunca desistem de tentar fazer o melhor pelos seus alunos.

O Sorriso da Hiena

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4. Muita gente diz que é um desafio criar histórias de crime nos tempos que vivemos. Você concorda? Como atrair a atenção do leitor hoje para esse tipo de gênero?

Olha, sinceramente, eu não acho que o tempo em que vivemos dificulte criar histórias de crimes ou que faça as pessoas se interessarem menos por elas. Talvez seja bem o contrário. As pessoas parecem cada vez mais fascinadas pelo cruel, pela maldade. Não é à toa que existem tantos programas de TV nessa temática. Talvez o difícil seja competir com a realidade, que tantas vezes se mostra mais cruel, fria e absurda que a ficção.

5. Você disse que voltou a morar em Florianópolis após ter morado em São Paulo para se dedicar mais a escrever. Como é ser um autor fora do eixo Rio-São Paulo? Quais são os prós e contras dessa escolha?
Eu gosto de estar fora desse eixo porque prefiro um ritmo de vida mais tranquilo. Brinco que se mudar novamente, quero ir para cidades cada vez menores ou mais tranquilas. Os prós e contras vão muito do que você precisa para ser feliz. Não dá para ter tudo, né? Eu gosto de ter mais contato com a natureza, de não passar tanto tempo no trânsito (apesar que o trânsito em Floripa está cada dia pior), ainda trabalho em agência de publicidade e aqui, pelo menos, a gente não fica com tanta frequência virando madrugada na agência como é em São Paulo (sem ganhar nenhum centavo a mais por isso, vale ressaltar). Os contras, o fato de ter menos eventos do mercado literário. Como escrever é um trabalho que você pode fazer de qualquer lugar, os prós e contras são mais pessoais.

6. Pode falar um pouco sobre “Quando a luz apaga”, seu próximo livro? Do que vai tratar a trama? Será um livro de suspense? Já tem previsão de lançamento?
Será um livro de suspense, no mesmo estilo d’O sorriso da hiena. Inclusive, terá o mesmo detetive, o Artur, mas contará uma história anterior. Eles não terão nenhuma ligação um com o outro. Não dá para falar muito, ainda estou escrevendo, mas uma das ideias é debater sobre as mentiras da sociedade, de como nos mostramos para as outras pessoas, fingindo ser o que não somos, fingindo sentir o que não sentimos, como somos julgados por não sentir (ou demonstrar sentir) o que as outras pessoas acham que você deve sentir, e algumas coisas mais.

7. Se pudesse escolher uma cidade no Brasil para sediar um festival de literatura policial, qual escolheria e por que?
Se fosse pelo tema, acho que qualquer cidade poderia ser palco deste festival, infelizmente o crime está em todas e cada vez maior. Mas, por provocação, eu faria em Brasília. Quem sabe incentive a justiça a ser feita por lá.

8. Séries policiais como Mindhunter estão em alta. Você gosta desse tipo de programa? Quais séries e filmes você mais gostou de ver esse ano?
Eu gosto demais dessas séries. Mas, pensando agora, acho que esse ano não assisti muitas desse gênero, tirando Mindhunter. Mas as séries policiais que gosto muito são The Wire, The Killing, Hannibal, True detective, Criminal Minds, The Affair (até a segunda temporada). De filmes, Seven e A vida de David Gale são dois que gosto muito.

9. Que novos autores você indica no cenário nacional?
Acabei de ler um que gostei bastante, chamado Andarilhos, do R. Tavares. E o penúltimo livro que li (ele não é um novo autor, mas é nacional) é Homens Elegantes, do Samir Machado de Machado. Um dos melhores livros que li este ano, sem dúvida.

10. Quais são seus planos para 2018 além do próximo livro? Pode adiantar alguma coisa pra gente?
Aproveitar melhor meu tempo para escrever mais.

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