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	<title>Arquivos josué de oliveira -</title>
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	<description>O melhor portal sobre suspense e mistério!</description>
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	<title>Arquivos josué de oliveira -</title>
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		<title>Onda de Crimes explora os vários caminhos que a ficção policial pode trilhar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Jun 2019 09:00:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colaboração]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Josué de Oliveira &#8211; Selos e coleções dedicados à literatura policial não são mais tão populares quanto já foram. Por isso, é motivo de comemoração quando vemos novos surgirem. Em 2018 foi anunciado o M0rgue, selo de suspense e thrillers da editora paulista Lendari. Agora, um novo representante chega ao mercado. Nascido da...</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><em>Por Josué de Oliveira</em> &#8211; Selos e coleções dedicados à literatura policial não são mais tão populares quanto já foram. Por isso, é motivo de comemoração quando vemos novos surgirem. Em 2018 foi anunciado o <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.facebook.com/m0rguebr/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">M0rgue</a></span>, selo de suspense e thrillers da editora paulista Lendari. Agora, um novo representante chega ao mercado.</p>
<p>Nascido da parceria entre a editora Avec e o escritor, editor e tradutor César Alcázar – um dos responsáveis pelo evento <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://portoalegrenoir.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Porto Alegre Noir</a></span> –, surge o Safra Vermelha, batizado em homenagem à obra do norte americano Dashiell Hammett, um dos grandes expoentes do gênero. A primeira publicação do selo já está na praça: trata-se de Onda de Crimes, antologia que reúne contos de três autores brasileiros, além de dois representantes da Argentina e um uruguaio.</p>
<p>O resultado é uma obra de rara qualidade, com textos diversificados que apontam os muitos caminhos que a narrativa policial pode trilhar, das suas facetas mais lúdicas às mais sombrias. A opção de congregar um número menor de contos traz como compensação uma média de tamanho maior para cada um, dando mais tempo aos autores e autoras para mostrar o que sabem.</p><div id="liter-1827521710" class="liter-adsense-artigos-placement liter-entity-placement" role="region" aria-label="Anúncios"><script async src="//pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-6441623549039847" crossorigin="anonymous"></script><insclass="adsbygoogle" style="display:block;" data-ad-client="ca-pub-6441623549039847" data-ad-slot="" data-ad-format="auto"></ins>
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</div>
<p>Seguem comentários sobre cada um dos textos, na ordem em que figuram na antologia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ss&amp;ref=as_ss_li_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;language=pt_BR&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=8554470389&amp;asins=8554470389&amp;linkId=1a914e1441249205c040784dc578c1e8&amp;show_border=true&amp;link_opens_in_new_window=true" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>Teia de aranha, de Nicolás Ferraro</h4>
<p>No conto de abertura, o retorno de um pai após uma de suas misteriosas ausências muda a dinâmica de uma família argentina. O suspense é construído a partir do olhar da filha mais velha e seu crescente entendimento sobre o tipo de homem que têm como pai. Trata-se de uma narrativa enxuta sobre a perda da inocência e a força inescapável dos laços de sangue, em que o crime e a violência surgem como uma inesperada explosão. Ferraro trabalha com uma linguagem contida, até seca em alguns momentos, e conduz os acontecimentos para um final que reitera a condição vulnerável dos personagens. Ótimo conto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>O Estranho, de Cláudia Lemes</h4>
<p>Um homem encontra um recibo de loja de penhores e decide ir atrás do item penhorado antes de tomar um trem de volta para casa, onde a esposa e o filho recém-nascido o aguardam. No caminho de volta para a estação, um estranho passa a segui-lo. Aqui temos um texto mais tradicional, que se apóia em trama e reviravoltas para prender o leitor – e é bem-sucedido nesse sentido. A autora é competente na criação do clima de perseguição e paranóia que acompanha o protagonista, e entrega um final cheio de surpresas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>A fronteira do acaso, de Kike Ferrari</h4>
<p>Um brasileiro, uma paraguaia e um argentino se envolvem enquanto aguardam na tríplice fronteira o barco que os levará ilegalmente para a Argentina. Kike trabalha a ideia de fronteira não apenas como a localização física onde indivíduos se encontram, mas como metáfora para limites que jamais se imaginaram capazes de ultrapassar. O sinuoso relacionamento entre os personagens é o foco principal do conto, que, em termos de complexidade temática, é o que mais se destaca na antologia, em minha opinião.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>Rosa, de Paula Bajer</h4>
<p>Num domingo pacato, uma mulher ouve tiros vindo da casa do vizinho. Este é o mote do menor do conto do livro, em que uma professora se vê enredada num crime cometido na casa ao lado e procura entender o que aconteceu. O texto é direto e ágil, pode-se dizer que até mesmo despretensioso. O desenvolvimento da trama é simples e o final um pouco abrupto, mas impactante. Não é nem de longe um conto ruim, mas foi o que menos me chamou a atenção na coletânea.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>Os Pregadores, de Rodolfo Santullo</h4>
<p>Mortes estranhas começam a ocorrer na pequena Punta del Diablo, no Uruguai, todas aparentemente relacionados com um misterioso homem de semblante abatido que ninguém nas redondezas sabe quem é. Temos aqui uma história de investigação mais calcada na narrativa policial clássica – assassinatos, investigação policial –, mas que não hesita em se afastar dela e buscar direções mais peculiares. O enredo toma um caminho que flerta com o horror cósmico e apresenta um desfecho sombrio e um tanto pessimista. Meu favorito da antologia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4>Aqui há monstros, de César Alcázar</h4>
<p>Um ex-policial alcoólatra atende ao pedido da prima e se envolve numa desastrada investigação para descobrir o paradeiro de seu tio, que anda metido com tipos meio suspeitos. O conto se situa dentro do subgênero hardboiled, apresentando um detetive relutante, perseguido por tragédias passadas. Em meio a alguns clichês, Alcázar consegue criar momentos marcantes, como a explicação dos motivos do &#8220;criminoso&#8221; e acompanhamento das consequências traumáticas do caso na vida do protagonista, encerrando o texto com um final pesado e reflexivo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nenhum texto ruim, portanto. Onda de Crimes é uma obra que fãs do gênero farão bem em conferir, e uma ótima estréia para o selo Safra Vermelha.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h4></h4>
<h4>SOBRE O LIVRO</h4>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/Onda-crimes-Cesar-Alc%C3%A1zar/dp/8554470389/ref=as_li_ss_il?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;keywords=onda+de+crimes&amp;qid=1559636933&amp;s=gateway&amp;sr=8-1&amp;linkCode=li3&amp;tag=literaturapol-20&amp;linkId=995825817e386d509091994d9af736c6&amp;language=pt_BR" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><img decoding="async" class="alignnone" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?_encoding=UTF8&amp;ASIN=8554470389&amp;Format=_SL250_&amp;ID=AsinImage&amp;MarketPlace=BR&amp;ServiceVersion=20070822&amp;WS=1&amp;tag=literaturapol-20&amp;language=pt_BR" border="0" /></a><img decoding="async" style="border: none !important; margin: 0px !important;" src="https://ir-br.amazon-adsystem.com/e/ir?t=literaturapol-20&amp;language=pt_BR&amp;l=li3&amp;o=33&amp;a=8554470389" alt="" width="1" height="1" border="0" /></p>
<p><strong>Título</strong>: Onda de Crimes<br />
<strong>Autores</strong>: Cesar Alcázar (Compilador, Tradutor, Autor), Nathaly Nalerio (Tradutor), Andrea Kahmann (Tradutor), Cláudia Lemes (Autor), Kike Ferrari (Autor), Nicolás Ferraro (Autor), Paula Bajer (Autor), Rodolfo Santullo (Autor)<br />
<strong>Páginas</strong>: 120<br />
<strong>Editora</strong>: AVEC<br />
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<p><strong>SINOPSE</strong> &#8211; Atividades suspeitas, tramas macabras, assassinatos misteriosos, desaparecimentos… Nas regiões isoladas e ermas até nas ruas apinhadas das grandes cidades, o crime está sempre à espreita. Reunindo contos de autores do Brasil, Uruguai e Argentina, Onda de Crimes é emoção do início ao fim! O lado mais sombrio da existência humana está à solta em Onda de Crimes, uma antologia que reúne algumas das principais vozes da Literatura Policial latino-americana atual. Da Argentina, Nicolás Ferraro aborda as agruras de uma jovem que acaba envolvida nas aventuras ilegais do próprio pai. Já seu conterrâneo, Kike Ferrari, mergulha nas tensões da tríplice fronteira entre Paraguai, Argentina e Brasil. Nascido no México, mas radicado no Uruguai, Rodolfo Santullo apresenta uma série de mortes desconcertantes no inverno sombrio de Punta del Diablo. Do Brasil, Cláudia Lemes investe no suspense ao retratar um homem vítima de uma perseguição que não consegue compreender. O feminicídio é a base da história narrada por Paula Bajer, na qual uma mulher suspeita que o vizinho é um assassino. Por fim, Cesar Alcázar mostra que segredos obscuros do passado podem gerar uma explosão de violência.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2019/06/04/onda-de-crimes-explora-os-varios-caminhos-que-a-ficcao-policial-pode-trilhar/">Onda de Crimes explora os vários caminhos que a ficção policial pode trilhar</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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			</item>
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		<title>Depois da Queda, de Dennis Lehane</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2018/04/23/resenha-depois-da-queda-de-dennis-lehane/</link>
					<comments>https://literaturapolicial.com/2018/04/23/resenha-depois-da-queda-de-dennis-lehane/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Apr 2018 16:04:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[companhia das letras]]></category>
		<category><![CDATA[Dennis Lehane]]></category>
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		<category><![CDATA[josué de oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Josué de Oliveira &#8211; Dentro da literatura do crime, Dennis Lehane já fez um pouco de tudo. Os primeiros livros do escritor e roteirista, lançados nos anos 1990, formam a elogiada série protagonizada pelos detetives particulares Patrick Kenzie e Angela Gennaro – Um drink antes da guerra, Apelo às trevas, Sagrado, Gone baby gone,...</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Josué de Oliveira</em> &#8211; Dentro da literatura do crime, Dennis Lehane já fez um pouco de tudo. Os primeiros livros do escritor e roteirista, lançados nos anos 1990, formam a elogiada série protagonizada pelos detetives particulares Patrick Kenzie e Angela Gennaro – Um drink antes da guerra, Apelo às trevas, Sagrado, Gone baby gone, Dança da Chuva e Estrada Escura –, histórias inseridas na tradição hardboiled norte americana, mistérios urbanos cheios de corrupção, violência e humor cortante. Depois disso, uma dupla de suspenses psicológicos: Sobre Meninos e Lobos e Paciente 67, cujas adaptações cinematográficas – dirigidas por Eastwood e Martin Scorsese, respectivamente – lhe trouxeram ainda mais notoriedade. Somam-se a estes uma trilogia de romances históricos, Naquele Dia, <a href="https://literaturapolicial.com/2014/09/22/resenha-os-filhos-da-noite-de-dennis-lehane/" target="_blank" rel="noopener">Os Filhos da Noite</a> e World Gone By – este último ainda sem tradução para o português –, onde os irmãos Coughlin circulam entre policiais, gângsters e contrabandistas. Completam a bibliografia o curto <a href="https://literaturapolicial.com/2015/09/25/resenha-a-entrega-de-dennis-lehane-2/" target="_blank" rel="noopener">A Entrega</a>, sobre um bartender às voltas com o crime em seu bairro, e o volume de contos Coronado.</p>
<p>Essas obras revelam um autor capaz de transitar com segurança entre diversas abordagens possíveis do romance policial. Seus inusitados personagens incluem criminosos cativantes, membros da classe trabalhadora diante de dilemas morais insolúveis, homens e mulheres da lei paralisados frente à loucura do mundo – a lista é longa. Lehane os leva ao limite, obrigando-os a dar uma boa olhada no que têm dentro de si e vislumbrar quem verdadeiramente são, algo que só pode ser alcançado em meio ao fogo da provação. E o melhor: essas jornadas acontecem em meio a tramas das mais envolventes e imprevisíveis.</p>
<p>Depois da Queda (Companhia das letras), seu livro mais recente, acaba de chegar ao Brasil. E mais uma vez vemos Lehane tomar uma direção inesperada, experimentando terreno novo – e obtendo mais um acerto.</p><div id="liter-1827521710" class="liter-adsense-artigos-placement liter-entity-placement" role="region" aria-label="Anúncios"><script async src="//pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-6441623549039847" crossorigin="anonymous"></script><insclass="adsbygoogle" style="display:block;" data-ad-client="ca-pub-6441623549039847" data-ad-slot="" data-ad-format="auto"></ins>
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</div>
<p>Logo nas primeiras páginas, um assassinato: Rachel Childs atira no peito de seu marido. A partir daí, voltamos ao passado e a acompanhamos desde a infância. Filha de uma escritora de autoajuda que lhe nega o direito de saber quem é seu pai, Rachel vem a se tornar uma jornalista bem-sucedida, até um incidente que interrompe sua carreira: durante uma transmissão ao vivo do Haiti, ela sofre um ataque de pânico. Segue-se um período de isolamento, onde sinais de agorafobia começam a se manifestar. A melhora vem a partir do reencontro com Brian, um homem atraente e carinhoso, e a conexão é imediata. O relacionamento evolui para um casamento feliz. Mas, justo quando Rachel percebe os sinais de recuperação psicológica, o avistamento de uma pessoa nas ruas de Boston engatilha uma série de acontecimentos que põem em dúvida tudo que ela acredita sobre si mesma, Brian e a vida que construíram juntos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5 style="padding-left: 120px;">Com um conflito central envolvendo uma mulher desconfiada do marido, Depois da Queda tem elementos em comum com muitos thrillers pós-Garota Exemplar. Ao mesmo tempo, se nega a ser um deles.</h5>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p>Não temos aqui uma história em primeira pessoa, uma protagonista que esconde algum terrível segredo, variação no ponto de vista para revelar desencontros no relato dos acontecimentos, convenções tão presentes nos policiais mais recentes. O que Lehane toma deles é a primazia da perspectiva feminina – o ponto de vista jamais se descola de Rachel – e a atmosfera de desconfiança em relação àquilo que temos de mais sólido em nossas vidas. A partir desses ingredientes, o autor apresenta uma narrativa que dialoga com a produção contemporânea, mas se destaca pelas escolhas incomuns de condução.</p>
<p>A primeira delas é o recuo no tempo e toda a primeira parte do livro dedicada à vida de Rachel antes dos acontecimentos descritos na sinopse. Nesse longo trecho, a principal preocupação do autor não é suspense ou tensão, mas sim nos mostrar quem é essa mulher, como surgem seus traumas, como a obsessão com a identidade do pai se instala. Só mais tarde o enredo começa a tomar os rumos mais esperados num thriller. Isso nos informa que Depois da Queda, antes de mais nada, é sobre Rachel, sua busca por sentido num mundo que se mostra cada vez mais caótico, opressivo, arbitrariamente caprichoso. Ao desenvolver a protagonista, Lehane mostra sua notória habilidade com personagens complexos e desajustados, pessoas que se percebem incompletas e nem sempre sabem onde procurar a parte que está faltando.</p>
<p>Da mesma maneira que a progressão de Depois da Queda para o romance policial que esperamos se dá aos poucos, os temas trabalhados pelo autor também vão se mostrando de modo gradual. O principal deles, antevisto logo no prólogo, não podia ser mais clichê: trata-se do amor. Lehane escolhe suas facetas mais ambíguas como objeto de exame, explorando as atitudes absurdas, por vezes cruéis, cometidas em seu nome. O amor motiva atos nobres e altruístas, nos faz colocar nossos próprios interesses em segundo plano em detrimento do bem-estar de outra pessoa, mas também tem o potencial de destruir vidas. A vida que o amor de alguém nos fez abandonar, ou aquela que teríamos caso jamais fôssemos acometidos deste sentimento, essa ligação a outro alguém. Os personagens vão entendendo que, para além do romantismo, as consequências de amar podem ser devastadoras, incontornáveis.</p>
<p>Outro tema importante, quase uma obsessão de Lehane, aparecendo na maioria de suas obras, é a monstruosidade humana. O mundo é povoado por monstros, criaturas para quem a existência de seus semelhantes vale pouco ou nada, capazes de dormir tranquilamente à noite sem serem atormentados pela extensão de sua maldade. Rachel depara com eles na desolação do Haiti, onde grupos armados circulam pelas cabanas de sobreviventes do furacão Matthew em busca de mulheres para satisfazer seus desejos sexuais, e também na segurança de Boston, quando eles vêm em seu encalço. Não os mesmos, é claro; outros homens – sempre homens –, outros rostos, mas a mesma indiferença, o mesmo impulso predador. Os personagens de Lehane são modificados pelo encontro com estes seres, e é fascinante notar que até mesmo a eles o autor confere toques de humanidade, como na confrontação que ocorre nas últimas páginas. E oferece uma reflexão nem um pouco tranquilizadora: na maioria das vezes, os monstros sequer têm consciência da própria natureza.</p>
<p>O mistério vai se instalando num crescendo a partir de um encontro aleatório na rua, e daí em diante o enredo vai tomando rumos cada vez mais insólitos, com direito a paranoia, sequências de ação, boas reviravoltas e corrida contra o tempo. É quando Lehane mostra que entende e muito dos aspectos mais convencionais do gênero que escreve há tantos anos e sabe como manter o leitor preso à história. As revelações que atingem Rachel jamais respondem a todas as perguntas e levantam outras tantas, gerando mais e mais desconfiança e tornando o desfecho sempre mais imprevisível. Contribui para isso o fato de o ponto de vista permanecer fixo na protagonista, de modo que seu desnorteamento está sempre em primeiro plano. O leitor é colocado num estado de confusão semelhante ao dela própria, já que a quantidade de informações de que dispomos é exatamente a mesma que Rachel.</p>
<p>Porém, há problemas a serem citados. Mesmo criando uma trama criativa e engenhosa, não há como negar que Lehane comete certos excessos, sobretudo no terceiro ato. Algumas passagens se estendem mais do que o necessário, enquanto outras mereciam maior elaboração. E há um trecho em específico em que o autor testa a fé do leitor com uma das viradas mais inverossímeis de sua carreira. Não são falhas que comprometem o todo, mas cabe apontar que estão lá.</p>
<p>A própria &#8220;demora&#8221; para o engrenar da trama pode ser um ponto que traga algum desagrado, assim como a aparente desconexão entre a primeira parte, dedicada de todo ao desenvolvimento pessoal da protagonista, e as duas seguintes. A resposta para essas duas possíveis queixas me parece ser um só, e já foi apontada aqui: Depois da Queda é, da primeira à última linha, sobre Rachel Childs, seu esforço para vencer o sentimento de incompletude que a domina desde a infância e definir os significados da própria vida. Lehane foi consistente dentro dessa proposta – e, se no processo alguns dos protocolos consagrados da narrativa policial foram sacrificados, a compensação vem na forma de uma de suas personagens mais interessantes e multifacetadas.</p>
<p>Apesar dos pequenos tropeços, Dennis Lehane demonstra com seu novo romance por que é um dos autores contemporâneos mais elogiados da literatura policial.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-11868 size-full" style="margin-top: 30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2016/02/parceria_companhia.jpg" alt="" width="268" height="70"></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9465" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/star4.png" alt="" width="98" height="22"></p>
<p><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-26019 size-medium" style="margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2018/04/depoisdaqueda.png?w=278" alt="" width="278" height="300">Título</strong>:&nbsp;Depois da Queda<br />
<strong>Autor</strong>: Dennis Lehane<br />
<strong>Páginas</strong>: 392<br />
<strong>Editora</strong>: Companhia das Letras<br />
<a href="https://www.skoob.com.br/depois-da-queda-746745ed749760.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Este livro no Skoob</a></p>
<p>SINOPSE – Depois de ter um colapso mental ao vivo, durante uma transmissão de TV, Rachel Child, antes uma jornalista obstinada e que desbravava o mundo, passa a viver totalmente reclusa. Fora isso, porém, ela leva uma vida ideal, com um marido que parece ideal. Até que, numa tarde chuvosa, um encontro fortuito abala profundamente aquela vida perfeita, assim como seu casamento e ela mesma. Sugada por uma conspiração cheia de decepções, violência e loucura, Rachel precisa encontrar forças nela mesma para superar medos inimagináveis e verdades transformadoras. Emocionante, sofisticado, romântico e cheio de suspense e tensões, Depois da queda é Dennis Lehane em sua melhor forma.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2018/04/23/resenha-depois-da-queda-de-dennis-lehane/">Depois da Queda, de Dennis Lehane</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Um Pequeno Favor é uma obra burocrática e sem personalidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Apr 2018 14:12:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[bertrand brasil]]></category>
		<category><![CDATA[darcey bell]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Josué de Oliveira &#8211; Um Pequeno Favor (Bertrand Brasil, 336 páginas, R$ 42,90) é a estreia literária da professora Darcey Bell, natural de Iowa, EUA, e mais um dos muitos livros que se situam dentro do chamado noir doméstico, sub gênero popularizado por obras como Garota Exemplar e A Garota no Trem. Uma citação...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Josué de Oliveira</em> &#8211; Um Pequeno Favor (Bertrand Brasil, 336 páginas, R$ 42,90) é a estreia literária da professora Darcey Bell, natural de Iowa, EUA, e mais um dos muitos livros que se situam dentro do chamado noir doméstico, sub gênero popularizado por obras como Garota Exemplar e A Garota no Trem. Uma citação na capa, inclusive, afirma que o thriller de Bell vem sendo considerado o sucessor dos hits de Gillian Flynn e Paula Hawkins. A verdade, no entanto, é menos animadora. O que temos aqui é uma tentativa de emular fielmente muitos dos elementos de trama e tema de seus antecessores. O resultado não é dos mais promissores.</p>
<p>A história nos apresenta a Stephanie, viúva, mãe em tempo integral de Miles e autora de um blog sobre maternidade. Através de seus posts, ficamos sabendo que sua grande amiga, Emily Nelson, está desaparecida. Emily havia lhe pedido um favor: que pegasse seu filho Nicky na escola, pois chegaria tarde do trabalho. Stephanie aceita de bom grado, feliz em ajudar a amiga e em ter o melhor amigo de seu próprio filho por perto. Mas Emily não volta para casa. Dias se passam, aumentando a ansiedade, até que um corpo é encontrado. Só que isso talvez não seja o fim do tormento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5 style="padding-left: 120px;">Partindo de um mote muitíssimo batido – todo mundo tem segredos –, Darcey Bell utiliza os recursos que já se tornaram padrão em tantos thrillers contemporâneos.</h5>
<p>&nbsp;</p>
<p>Narradores cuja vidas perfeitas são fachadas para algo sombrio: confere. Fatos contados a partir de diversas perspectivas, mostrando que ninguém é 100% confiável: confere. Mudanças de ponto de vista para enfatizar o clima de nada-é-o-que-parece-ser: confere. O cenário será familiar para quem acompanha as publicações mais recentes do gênero. A autora jamais tenta se desviar das convenções.</p><div id="liter-1827521710" class="liter-adsense-artigos-placement liter-entity-placement" role="region" aria-label="Anúncios"><script async src="//pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-6441623549039847" crossorigin="anonymous"></script><insclass="adsbygoogle" style="display:block;" data-ad-client="ca-pub-6441623549039847" data-ad-slot="" data-ad-format="auto"></ins>
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</div>
<p>Parece que Garota Exemplar é especificamente o modelo seguido. Há certo ponto de virada em Um Pequeno Favor que surge mais ou menos na mesma altura que uma virada idêntica no livro de Flynn. De modo semelhante, a motivação de uma das personagens é um aceno explícito em direção à Amy Dunne, uma das protagonistas de Garota Exemplar.</p>
<p>O problema é que a escrita de Darcey Bell não chega perto da de Flynn, que maneja a variação de vozes de maneira mais natural e imprime nos acontecimentos como um todo uma aura de ambiguidade e tensão crescente que Um Pequeno Favor não consegue reproduzir. A história se arrasta sem grandes mudanças de tom por mais de cem páginas, mera sucessão de eventos, e só daí em diante, com a primeira troca de ponto de vista, temos a inserção de algum suspense. Garota Exemplar, por sua vez, nos deixa desde o começo inquietos não apenas pelo desaparecimento que abre o romance, mas por uma sensação constante e palpável, provocada pelos relatos conflitantes, de que podemos estar sendo enganados.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-25619 " style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 30px; margin-bottom: 30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2018/04/favor4.jpg?w=639" alt="" width="619" height="642"></p>
<p>O quesito em que a autora demonstra mais segurança é o gerenciamento das revelações e reviravoltas na trama. Bell oculta bem os segredos de seus personagens, encontrando momentos precisos para plantar as sementes do que descobriremos mais tarde. Numa narrativa sobre segredos, esse controle de informações é essencial, e o fato de serem os próprios protagonistas – na maioria das vezes – a expor a verdade ao leitor, por meio do recurso da primeira pessoa, cria uma atmosfera de confissão, como se aquelas pessoas precisassem contar a alguém, qualquer um, quem de fato são.</p>
<p>Por melhor que seja em surpreender, no entanto, a estreante nem sempre acerta no conteúdo das surpresas. Uma reviravolta em especial, central à história, apoia-se numa combinação quase impossível de sorte e incompetência policial. Este último ponto é particularmente irritante: nenhum agente da lei em Um Pequeno Favor parece ter mais que meia dúzia de neurônios funcionais. Só isso explica o fato de terem deixado passar o componente fundamental da grande virada do livro, que outro personagem, sem qualquer habilidade detetivesca, descobre com bastante facilidade quando ambos estão na mesma situação. Ao invés de causar impacto, a revelação soa inverossímil, quase inacreditável, e essa falta de solidez compromete decisivamente o todo.</p>
<p>Com personagens quase sempre desinteressantes, quando não puramente chatos – sobretudo Stephanie –, um tema que nunca é trabalhado para além das obviedades e um enredo que só se sustenta quando se fecha os olhos para os buracos, Um Pequeno Favor erra ainda no final, ao se estender mais do que o necessário. Darcey Bell inicia sua carreira com uma obra burocrática e sem personalidade, que nada acrescenta a um sub gênero já um tanto saturado.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-11309 size-full" style="margin-top: 30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/parceria_record.jpg" alt="" width="226" height="70"></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-10104" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/09/star2.png" alt="" width="49" height="22"></p>
<p><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-25600 size-medium" style="margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2018/04/umpequenofavor.jpg?w=197" alt="" width="197" height="300">Título</strong>: Um pequeno favor<br />
<strong>Autora</strong>: Darcey Bell<br />
<strong>Tradução</strong>: Carol Mesquita<br />
<strong>Editora</strong>: Bertrand Brasil<br />
<strong>Páginas</strong>: 336<br />
<a href="https://www.skoob.com.br/um-pequeno-favor-683303ed685729.html" target="_blank" rel="noopener">Este livro no Skoob</a></p>
<p><strong>SINOPSE</strong>&nbsp;– Quando sua melhor amiga, Emily, pede a Stephanie para buscar seu filho Nicky na escola, ela alegremente concorda. Nicky e seu filho, Miles são melhores amigos — exatamente como ela e Emily. Mas Emily não volta. Ela não atende ao telefone ou responde às mensagens. Stephanie sabe que algo está terrivelmente errado. Aterrorizada, ela busca ajuda nos leitores do seu blog. Até que ela e Sean, marido de Emily, recebem notícias chocantes: Emily está morta. O pesadelo de seu desaparecimento finalmente chegou ao fim. Ou será que não?</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2018/04/03/um-pequeno-favor-e-uma-obra-burocratica-e-sem-personalidade/">Um Pequeno Favor é uma obra burocrática e sem personalidade</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>Fargo (1ª temporada): As regras do caos</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2018/02/27/fargo-1a-temporada-as-regras-do-caos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Feb 2018 13:17:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[séries de tv]]></category>
		<category><![CDATA[canal fx]]></category>
		<category><![CDATA[fargo]]></category>
		<category><![CDATA[featured]]></category>
		<category><![CDATA[josué de oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Josué de Oliveira &#8211; Uma tendência vem se solidificando nos últimos anos no mundo das séries de TV: as adaptações de filmes para o formato seriado. Pânico, Um Drink no Inferno, O Exorcista, Máquina Mortífera, Os 12 Macacos, Cara Gente Branca e Hannibal são apenas alguns dos numerosos exemplos. O conceito parece ser explorar...</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Josué de Oliveira</em> &#8211; Uma tendência vem se solidificando nos últimos anos no mundo das séries de TV: as adaptações de filmes para o formato seriado. Pânico, Um Drink no Inferno, O Exorcista, Máquina Mortífera, Os 12 Macacos, Cara Gente Branca e Hannibal são apenas alguns dos numerosos exemplos. O conceito parece ser explorar o universo e os personagens apresentados na produção original, expandindo-os de uma maneira que um longa-metragem de duas horas não seria capaz. Os frequentes anúncios de novas adaptações nessas linhas parecem mostrar que a estratégia vem funcionando.</p>
<p>Uma das séries nascidas dessa onda filme é Fargo, que conta, até o momento, com três temporadas. Idealizada por Noah Hawley, que escreveu todos os episódios, a série adapta o filme homônimo dos irmãos Ethan e Joel Coen, lançado em 1996. Nele, um patético vendedor de carros usados contrata dois criminosos para sequestrar sua esposa, mas tudo dá errado e uma quantidade estarrecedora de gente começa a morrer; a investigação do caso, que parece não fazer sentido algum, fica a cargo da gravidíssima chefe de polícia local, interpretada por Frances McDormand.</p>
<p>A série foi por um caminho menos estrito: apenas a primeira temporada é baseada na película original e, ainda assim, de maneira bem livre; as duas seguintes apresentam histórias novas, ainda que com certo grau de inspiração em outros filmes dos Coen. A principal conexão entre as obras, no entanto, não é o universo ficcional, mas os temas tratados em ambas. Fargo, a série, amplifica as ideias presentes no filme, contando uma história violenta e bizarramente engraçada sobre a crueldade cega do mundo e como sobreviver a ela sem perder a humanidade.</p><div id="liter-1827521710" class="liter-adsense-artigos-placement liter-entity-placement" role="region" aria-label="Anúncios"><script async src="//pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-6441623549039847" crossorigin="anonymous"></script><insclass="adsbygoogle" style="display:block;" data-ad-client="ca-pub-6441623549039847" data-ad-slot="" data-ad-format="auto"></ins>
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</div>
<p>Nesta primeira temporada, somos apresentados a Lester Nygaard (Martin Freeman, o John Watson de Sherlock), um vendedor de seguros da cidade de Bemidji, Minnesota, cuja carreira é, no máximo, medíocre. Num dia particularmente ruim, em que teve de aguentar a esposa comparando-o com o irmão mais bem-sucedido e um bully da infância que decidiu atormentá-lo, ele acaba no hospital. Lá por puro acaso, conhece o assassino Lorne Malvo (Billy Bob Thornton), que lhe dá conselhos. Mais tarde, num acesso de raiva, Lester mata a esposa a marteladas e implora pela ajuda de Malvo, que acaba assassinando o chefe de polícia local numa infeliz coincidência.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-24682 size-large" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2018/02/malvo-lester.jpg?w=639" alt="" width="639" height="359"></p>
<p>&nbsp;<br />
Lester consegue se safar simulando que também foi atacado; apenas a policial Molly Solverson (Allison Tolman) suspeita do vendedor e de sua relação com o misterioso Malvo, enfrentando os superiores para encontrar o verdadeiro culpado pelos crimes; a situação fica ainda mais complexa quando assassinos de um sindicato do crime entram na história, e outro policial (Colin Hanks) da cidade vizinha se envolve na investigação.</p>
<p>No Fargo de 1994, não há um personagem como Lorne Malvo, criação exclusiva da série. Presente desde a primeira cena, é ele quem coloca a trama em movimento, agindo a partir de sua cosmovisão profundamente darwinista. Malvo representa o predador, aquele lado primitivo e animalesco da natureza humana que se esconde por trás da fachada de civilidade que assumimos para esquecer de nossos próprios instintos violentos. Não à toa suas constantes referências ao reino animal, onde não há santos, apenas café da manhã e jantar, e sua reiterada identificação com a imagem do lobo.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-24685" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 30px; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2018/02/fargo-logo.png?w=300" alt="" width="500" height="281"></p>
<h5 style="text-align: center;">&#8220;Seu problema é que você passou a vida inteira<br />
achando que existem regras. Não existem.&#8221;</h5>
<p>&nbsp;<br />
Munido dessa concepção a respeito de como os seres humanos são, Malvo se dá completa liberdade para mentir, manipular e, com frequência, matar – o que for necessário para atingir seus objetivos, que nem sempre se mostram claros. Malvo é uma força da natureza, guiado pela certeza de que códigos morais não passam de uma piada ruim.</p>
<p>Hawley pinta Malvo com tons de alegoria. Além do lobo, outro símbolo associado a ele é o próprio diabo, a serpente que quebra a ordem no Paraíso e desperta a corrupção no coração dos homens. Parece haver algo de inumano em sua capacidade de manter-se um passo a frente de todos, cometendo atos cada vez mais brutais e escapando sem consequências, e nas enigmáticas parábolas com as quais se comunica. A aura de ameaça que o acompanha cresce a cada episódio, assim como o temor que sentimos por aqueles que cruzam seu caminho.</p>
<p>Mas o principal aspecto da figura de Malvo é como suas palavras contaminam outras pessoas, tentando-as (de novo o paralelo com a serpente) a abandonar seus princípios e assumir uma vida sem regras. Esse é o eixo de sua relação com Lester.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5 style="text-align: center;">&#8220;Lester… você foi um menino mau?&#8221;</h5>
<p>&nbsp;</p>
<p>Lester emula o vendedor de carros usados do longa original, sendo que seu arco não envolve a simulação do sequestro da esposa para embolsar o resgate pago pelo sogro rico. Aqui, ele descobre seu próprio lado bestial ao assassinar a amarga Pearl, após esta acusá-lo de não ser homem de verdade. Contaminado pelo contato com Malvo, Lester passa boa parte desta temporada tentando se livrar das suspeitas que pairam sobre si – e descobrindo no caminho do que é capaz para preservar a própria sobrevivência.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-24684 size-large" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 30px; margin-bottom: 30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2018/02/lester.jpg?w=639" alt="" width="639" height="359"></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Se em Malvo temos a expressão exata do abandono dos escrúpulos em troca da busca franca pelos interesses pessoais, em Lester temos uma versão em andamento do mesmo fenômeno. A cada novo ardil para não ser preso, o outrora pacato vendedor de seguros se afasta da decência que sempre procurou cultivar – ou, como Malvo sugere, apenas se abre para sua verdadeira natureza. E, através da trajetória do personagem, a série nos leva a questionar nossas próprias noções de certo e errado, de moral, bom comportamento e vida em sociedade, à medida que as evidências em favor da visão fatalista de Malvo se amontoam.</p>
<p>O contato entre Lester e Malvo põe em movimento forças que ambos não conseguem controlar, o que chama a atenção para outro tema importante na série: a incapacidade humana de dar conta da realidade. Não é a toa que a maioria dos policiais envolvidos com as investigações esteja perdida. Nunca viram tamanha violência e não conseguem enxergar o padrão escondido na anormal sequência de eventos que se desenrola. Desejam apenas que aquilo acabe e que a calmaria usual volte a reinar. E a ironia é que o ponto de partida de tudo é uma conversa casual entre um assassino com ares de filósofo e um inseguro vendedor de seguros.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 1.65em; color: #000000;">&#8220;Ele não vai parar. Você sabe disso, não sabe?&#8221;</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A busca pela razão em meio a todo esse caos fica nas mãos de Molly, policial inexperiente que contraria as ordens do novo chefe de polícia – mais um dos que clamam por uma resposta solução simples para os acontecimentos – e decide investigar Lester, ciente de seu inusitado contato com um assassino profissional. Molly pressente que há mais na história do que mortes desencontradas, e é punida pela hierarquia por não se conformar com as respostas inocentes nas quais todos insistem em acreditar.</p>
<p>Mas Molly é uma pessoa só se erguendo não apenas contra Lester e Malvo, mas contra toda a crueldade e desordem do universo. Sua crença de que pode compreender os fatos esbarra não apenas na incompetência de seus pares, mas nas demonstrações de que, lá fora, predadores seguem abatendo suas presas com enorme naturalidade. A cena do tiroteio em meio a nevasca, no sexto episódio, é uma representação visual poderosa da jornada de Molly: à sua volta, alheias a ela, metralhadoras disparam numa declaração de que o mundo segue seu curso indiferente, e a tempestade a impede de enxergar qualquer coisa com clareza.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-24683 size-large" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-bottom: 30px; margin-top: 30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2018/02/molly.jpg?w=639" alt="" width="639" height="426"></p>
<p>Molly é construída como uma mulher forte e de princípios, incapaz de olhar para o outro lado diante de tanto a ser desvendado, e em Fargo isso é mais do que suficiente para colocá-la em perigo real. A série é rápida em mostrar que ninguém que acredita no restabelecimento da ordem está a salvo, o que nos faz temer genuinamente por ela. Ao se recusar a manter a ignorância, como seu chefe e outros policiais, ela se coloca no caminho dos agente do caos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 1.65em; color: #000000;">“Você fez uma escolha. Eu sou a consequência.”</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O exame dos temas filosóficos e religiosos levantados pelo roteiro se confunde com o desenvolvimento dos personagens e com o próprio decorrer da trama, formando uma unidade complexa e bem concebida, onde uma coisa não existe sem a outra. Há humor, suspense, ótimas cenas de ação, mas a série triunfa mesmo por confiar na força de suas ideias, no embate de visões de mundo ilustrado sobretudo pelo confronto entre Molly e Malvo.</p>
<p>Não há compromisso com convenções como o triunfo do bem sobre o mal ou a felicidade dos mocinhos ao fim de tudo. O que não significa que Fargo abrace o pessimismo. O desfecho enfatiza a ambiguidade, nos obrigando a encarar o fato de que talvez a influência exercida por Malvo seja mais forte do que nossa humanidade gostaria de admitir, mas que é possível encontrar poderes maiores do que nossos próprios impulsos. Talvez estes firmem nossos pés nos momentos de desespero, em que estamos divididos entre seguir nossos princípios ou agir como um predador; talvez eles salvem nossa vida.</p>
<p><em>[Imagens: Youtube &#8211; Divulgação]</em></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
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		<title>Os impunes, de Richard Price, é um dos melhores lançamentos do gênero em 2017</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Oct 2017 12:34:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[colaboração]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[companhia das letras]]></category>
		<category><![CDATA[josué de oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[os impunes]]></category>
		<category><![CDATA[richard price]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há dois nomes na capa de Os impunes (Companhia das Letras, 432 páginas). O primeiro, Richard Price, designa o respeitado autor norte-americano de romances como Vida vadia, Freedomland e Clockers (já lançados no Brasil, mas esgotados no momento, ao que parece) e de roteiros de filmes como &#8220;A cor do dinheiro&#8221;, dirigido por Martin Scorsese,...</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Há dois nomes na capa de <em>Os impunes</em> (Companhia das Letras, 432 páginas). O primeiro, Richard Price, designa o respeitado autor norte-americano de romances como <em>Vida vadia</em>, <em>Freedomland</em> e <em>Clockers</em> (já lançados no Brasil, mas esgotados no momento, ao que parece) e de roteiros de filmes como &#8220;A cor do dinheiro&#8221;, dirigido por Martin Scorsese, e séries premiadas como &#8220;The Wire&#8221; e a recente &#8220;The Night Of&#8221;. O segundo nome é Harry Brandt, pseudônimo sob o qual ele decidiu lançar seu romance mais recente, que, dois anos depois, chega às prateleiras brasileiras.</p>
<p style="text-align: center;"><iframe style="width: 120px; height: 240px;" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?ServiceVersion=20070822&amp;OneJS=1&amp;Operation=GetAdHtml&amp;MarketPlace=BR&amp;source=ss&amp;ref=as_ss_li_til&amp;ad_type=product_link&amp;tracking_id=literaturapol-20&amp;marketplace=amazon&amp;region=BR&amp;placement=853592938X&amp;asins=853592938X&amp;linkId=8dca23db821a5c3b0c9d95f36599ba8b&amp;show_border=true&amp;link_opens_in_new_window=true" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>O porquê dessa decisão é bastante curioso. Price é conhecido por romances policiais grandes e caudalosos, onde a investigação se confunde com o retrato de grandes cidades americanas e suas tensões sociais, uma das razões pelas quais é celebrado pela crítica especializada. Harry Brandt surgiu de seu desejo de escrever algo mais curto, direto e até mesmo comercial, orientado pela trama. O pseudônimo destacaria o novo romance de suas obras anteriores, estética e tematicamente mais complexas.</p>
<p>A estratégia não deu muito certo. <a href="https://www.nytimes.com/2015/02/11/books/richard-price-finds-his-pseudonym-for-the-whites-annoying.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Como diz a matéria do New York Times</a>, Richard Price produziu um livro de Richard Price. Mesmo tentando se ater às regras do gênero e entregar uma história mais convencional, “tudo parecia implorar por mais complexidade”. Assim, o produto final que chegou às livrarias tinha quatrocentas páginas, o estilo do autor impresso em cada uma delas. Do plano inicial, vingou apenas o uso do pseudônimo, embora de forma mais honesta, deixando claro quem era o homem por trás do nome desconhecido.</p><div id="liter-1827521710" class="liter-adsense-artigos-placement liter-entity-placement" role="region" aria-label="Anúncios"><script async src="//pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-6441623549039847" crossorigin="anonymous"></script><insclass="adsbygoogle" style="display:block;" data-ad-client="ca-pub-6441623549039847" data-ad-slot="" data-ad-format="auto"></ins>
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</div>
<p>Em <em>Os impunes</em>, acompanhamos o policial Billy Graves, 42 anos, responsável pelo turno da noite numa delegacia de Nova York. Um cargo estressante e nada glamouroso, que pouco lembra sua carreira nos anos 1990, quando Billy teve seus dias de glória ao fazer parte dos Gansos Selvagens, grupo composto por policiais jovens e dispostos a correr riscos, unidos por uma feroz lealdade. O que parecia o prenúncio de uma grande trajetória vai por água abaixo quando, por acidente, Billy acaba baleando um garoto de dez anos em um tiroteio. A partir daí, passa para o lado menos promissor da Polícia de Nova York. Billy é o único dos Gansos Selvagens que ainda não se aposentou.</p>
<p>Cada um desses policiais veio a se tornar detetive e todos carregam uma obsessão particular: casos de homicídio não solucionados oficialmente, mas cujos culpados são conhecidos. Esses assassinos que a Justiça deixou escapar são por eles chamados de Brancas, em referência à baleia perseguida pelo Capitão Ahab em Moby Dick. Quando a Branca de um de seus velhos amigos aparece morta numa movimentada estação de metrô durante o turno de Billy, as engrenagens de sua vida monótona começam a se mover.</p>
<p>Em paralelo, se desenrola a estranha narrativa de Milton Ramos, detetive latino cuja vida é uma longa sucessão de acontecimentos brutais. Por motivos que vão aos poucos sendo revelados, Ramos credita a uma única pessoa a tragédia que abalou sua adolescência e o transformou no homem que é – a enfermeira Carmen Graves… esposa de Billy, contra quem sua fúria, guardada durante anos, está prestes a se voltar.</p>
<p>Essa foi minha primeira experiência com a literatura de Price, a quem conhecia apenas pela reputação. Qualquer texto a seu respeito destaca o talento para diálogos e personagens duros, talhados pela violência das ruas, bem como o olhar aguçado sobre as dinâmicas socioeconômicas que envolvem a criminalidade urbana; também diz que ele não deixa de lado os aspectos narrativos mais básicos, criando tramas ágeis e arcos bem definidos, e que seu uso da linguagem é eficiente e desenvolto.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 180px;"><span style="font-size: 1.45em; color: #808080;">A julgar por <em>Os impunes</em>, todas estas credenciais são mais do que merecidas. Estamos diante de um autor que consegue extrair do gênero policial o que ele pode oferecer de melhor.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nossas janelas para o universo do livro são Billy e Milton. Passamos mais tempo com o primeiro, o típico personagem que, nas mãos de um escritor menos habilidoso, poderia acabar como um lugar comum ambulante – o tira decadente e traumatizado cuja vida é uma bagunça. Não é o caso aqui. O casamento de Billy não está em frangalhos por causa do trabalho; ele não abusa do álcool nem é um pai ausente. Na medida do possível, Billy procura levar uma vida saudável, cuidar da família, cumprir suas obrigações. Um homem pacato que deixou seus dias agitados no passado.</p>
<p>Sua rotina é lidar com todo o tipo de confusão ocorrida após a meia-noite: brigas entre gangues, o desaparecimento da medalha de um atleta aposentado, assaltos a joalherias, um homem que deixou a filha bebê cair no chão. A maneira como Price retrata essas ocorrências, pinçando-as como que de modo aleatório entre as tantas que uma cidade como Nova York oferece, expõe o caráter episódico e enfadonho da existência de Billy, onde tudo é mais ou menos igual noite após noite. Em termos de desenvolvimento do personagem, é admirável que, com pouco mais de vinte páginas, o autor consiga evocar um senso de mesmice estabelecido ao longo de anos. Assim, o assassinato no metrô salta aos olhos como um acontecimento de impacto.</p>
<p>O conceito das Brancas emoldura o tema central do romance: a obsessão. Claro, detetives com fixação pela captura de um assassino não são novidade, mas Price aqui consegue elevá-los do clichê e transformá-los em figuras convincentes e complexas. À medida que a narrativa avança e vamos conhecendo mais e mais Pavlicheck, Whelan, Redman e Yasmeen – os Gansos Selvagens –, entendemos que a impunidade de suas Brancas não os afeta por uma questão de orgulho ferido ou vaidade; não se trata de pegar o criminoso para provar algo a alguém. A liberdade desses assassinos os fere por refletir a loucura de um mundo sujo e violento, evidenciando que há coisas que simplesmente fogem ao controle, sofrimentos que jamais serão solucionados mesmo que empreguem toda sua força e astúcia para isso.</p>
<p>Obsessão também é o que governa Milton Ramos, homem cuja presença por si só inspira medo e desconfiança, como se exalasse uma aura de mau-presságio. Quieto, nada simpático e não muito eficiente como detetive, Ramos parece viver uma espécie de vazio expectante, nada dando sentido a sua existência, até que, por acaso, avista Carmen num hospital.</p>
<p>Price tem o cuidado de mostrar muito pouco de Ramos, um vislumbre de cada vez, de modo que, quando entendemos de todo a razão de seu ódio por Carmen, tememos por ela. Seria fácil torná-lo um vilão, mas, ao mesmo tempo que o autor o constrói como um personagem assustador, também há nele muito de trágico. É doloroso ver que suas tentativas de refrear a própria natureza terminam apenas por fortalecê-la. Seus processos mentais são legitimamente perturbadores, mas é difícil não captar alguma lógica neles, o que demonstra a capacidade de Price de gerar empatia até mesmo por um homem de quem é preferível manter distância.</p>
<p>O melhor da leitura é perceber que o exame do tema, a partir da relação de Billy com seus amigos e de Milton com sua vingança, não eclipsa a trama e seus desdobramentos; mais do que isso: tudo é uma coisa só. A trama faz o tema emergir, e o tema nos ajuda a perceber a profundidade dos acontecimentos que constituem a trama. Falando assim pode parecer simples, mas uma composição com esse equilíbrio de elementos é muitíssimo trabalhosa e são poucas as obras em que isso funciona de verdade, tudo tão bem alinhado. Esse senso de unidade é uma das características que nos fazem reconhecer uma grande história quando nos deparamos com ela. Além de um ótimo romance policial, Os impunes é uma poderosa ficção sobre o poder do passado sobre nossas vidas, e como somos definidos pelo que nos atormenta.</p>
<p>Com um final que fecha a trama de maneira satisfatória e indica uma discreta faísca de otimismo, <em>Os impunes</em> é um dos melhores lançamentos do gênero em 2017, intrincado, divertido e envolvente.</p>
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<p><em>* Livro enviado ao site pela Companhia das Letras.</em></p>
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<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-10249" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/11/star5.png" alt="" width="106" height="22" /></p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/Os-impunes-Richard-Price/dp/853592938X/ref=as_li_ss_il?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;keywords=os+impunes&amp;qid=1565988358&amp;s=gateway&amp;sr=8-1&amp;linkCode=li3&amp;tag=literaturapol-20&amp;linkId=bea69d6abc07cd9f234f7a5391c274c8" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><img decoding="async" class="alignleft" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?_encoding=UTF8&amp;ASIN=853592938X&amp;Format=_SL250_&amp;ID=AsinImage&amp;MarketPlace=BR&amp;ServiceVersion=20070822&amp;WS=1&amp;tag=literaturapol-20" border="0" /></a><img loading="lazy" decoding="async" style="border: none !important; margin: 0px !important;" src="https://ir-br.amazon-adsystem.com/e/ir?t=literaturapol-20&amp;l=li3&amp;o=33&amp;a=853592938X" alt="" width="1" height="1" border="0" /><strong>Título</strong>: Os impunes<br />
<strong>Autor</strong>: Richard Price<br />
<strong>Editora</strong>: Companhia das Letras<br />
<strong>Páginas</strong>: 432<br />
<a href="https://www.skoob.com.br/livro/690583#_=_" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Este livro no Skoob</a></p>
<p>SINOPSE – Nos anos 1990, Billy Graves vivia seu auge. Integrava os Gansos Selvagens, um entusiasmado grupo independente de jovens policiais que investigavam os crimes das regiões mais violentas de Nova York. Porém, depois de atirar por acidente em um garoto de dez anos, o detetive ganhou fama indesejada nas manchetes dos jornais e foi confinado ao Departamento de Identificação do necrotério. Billy está agora na casa dos quarenta e cuida do turno da noite, atendendo a chamados e despachando as pendências para a equipe da manhã. No entanto, quando um dos crimes tem como vítima uma pessoa ligada ao passado de um de seus colegas dos Gansos Selvagens, o policial vai reviver os velhos tempos numa busca por vingança e redenção.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
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		<title>RESENHA &#124; Assassinato no campo de golfe, Agatha Christie</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2017/08/25/resenha-assassinato-no-campo-de-golfe-agatha-christie/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Aug 2017 16:09:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Agatha Christie]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[assassinato no campo de golfe]]></category>
		<category><![CDATA[editora globo]]></category>
		<category><![CDATA[hercule poirot]]></category>
		<category><![CDATA[josué de oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[poirot]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Voltar ao início é uma experiência interessante. Descobri Agatha Christie em 2003, e o primeiro título da autora a ser marcado na minha carteirinha da biblioteca do colégio foi Assassinato no Campo de Golfe. Li em poucos dias, arregalei os olhos quando Hercule Poirot revelou o culpado, surtei com a longa e detalhada explicação...</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/08/25/resenha-assassinato-no-campo-de-golfe-agatha-christie/">RESENHA | Assassinato no campo de golfe, Agatha Christie</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Voltar ao início é uma experiência interessante.</p>
<p>Descobri Agatha Christie em 2003, e o primeiro título da autora a ser marcado na minha carteirinha da biblioteca do colégio foi Assassinato no Campo de Golfe. Li em poucos dias, arregalei os olhos quando Hercule Poirot revelou o culpado, surtei com a longa e detalhada explicação do detetive, a quem nenhum detalhe, por mínimo que fosse, passara despercebido. Perdi a conta de quantos livros da autora conhecida como a Rainha do Crime li desde então (mentira: foram 58). Com o tempo, o sentimento de espanto com os desfechos imprevisíveis criados pela inglesa foi sendo substituído por algo diferente, mas não menos agradável: um apreço pela técnica, pela perícia com que estas histórias são estruturadas. Foi com essa mentalidade que revisitei Assassinato no Campo de Golfe 14 anos depois, desta vez numa caprichada edição da Globo Livros.</p>
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<p>No livro, lançado em 1923, Hercule Poirot e seu fiel amigo Arthur Hastings (narrador da aventura) embarcam para a França, atendendo ao chamado do milionário monsieur Renauld. Em carta endereçada ao detetive belga, o homem pediu ajuda, declarando que sua vida estava em perigo. Ao chegarem à Villa Geneviève, residência do cliente, os dois descobrem que Renauld fora assassinado naquela madrugada, apunhalado pelas costas num campo de golfe próximo. Ao lado do corpo, uma cova aberta recentemente. Nada mais natural que Poirot e Hastings se envolverem na investigação do caso.</p><div id="liter-1827521710" class="liter-adsense-artigos-placement liter-entity-placement" role="region" aria-label="Anúncios"><script async src="//pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-6441623549039847" crossorigin="anonymous"></script><insclass="adsbygoogle" style="display:block;" data-ad-client="ca-pub-6441623549039847" data-ad-slot="" data-ad-format="auto"></ins>
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</div>
<p>Assassinato no Campo de Golfe é um romance policial clássico, com todos os elementos que poderíamos esperar de um. Tudo é carregado de uma atmosfera misteriosa, todos estão sob suspeita. Os oficiais da polícia francesa incumbidos do caso estão constantemente boquiabertos diante dos bizarros acontecimentos e de cada nova e desconcertante pista encontrada. Os testemunhos dos familiares de Renauld e dos empregados da casa por si só soam suspeitos, e sobram lacunas na vida pregressa de quase todos os personagens. Os acontecimentos são encenados de modo a enfatizar a estranheza do que está em curso.</p>
<p>É um arranjo que conta com certa artificialidade, mas esta faz parte da lógica de construção destas histórias. Agatha Christie e tantos outros autores da Era de Ouro propunham jogos, dispunham as peças embaralhadas e davam ao leitor e ao detetive as mesmas chances de organizá-las. Esse caráter de desafio é o que torna Assassinato no Campo de Golfe e outros livros semelhantes sobretudo divertidos, pois impulsionam o leitor a desejar o desfecho mais do que qualquer outro ingrediente na narrativa.</p>
<p>Não é surpresa, portanto, que os personagens não sejam tão bem desenvolvidos assim, que certos diálogos soem exageradamente dramáticos ou artificiais, que sejam inúmeros os momentos em que Hastings se espante diante do brilhantismo de Poirot (e de sua própria ignorância). Estes componentes da narrativa são secundários, menores em relação à trama; esta, sim, é o centro da obra. Desde que o enredo funcione, as demais falhas são perdoáveis, pois nunca houve um grande investimento nas demais áreas.</p>
<p>Este não é o ideal, é claro: em qualquer obra literária, a trama deve funcionar, os personagens devem ser críveis, os diálogos, plausíveis, enfim, deve haver equilíbrio. A própria Agatha Christie o demonstra em diversos outros trabalhos – E Não Sobrou Nenhum, A Mansão Hollow, Assassinato na Casa do Pastor, Nêmesis, A Casa Torta, Os Cinco Porquinhos, para citar alguns exemplos. Mas, infelizmente, não é o caso aqui. Talvez a explicação esteja na inexperiência da própria autora, já que estamos falando de seu terceiro livro, mas, seja qual for o motivo, parece-me inegável que Assassinato no Campo de Golfe sofre com personagens rasos, melodrama desnecessário e excessos na representação da genialidade de Poirot.</p>
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<p>Mas o entretenimento está mesmo na investigação dos inusitados acontecimentos ocorridos em Villa Geneviève, e nisso o livro é exemplar. O cenário desorganizado vai aos poucos tomando forma a partir do olhar apurado de Poirot, pistas pequenas mostram-se muito mais significativas do que se pensava e os suspeitos mais improváveis vão ganhando contornos cada vez mais soturnos. O que nunca faltou à Agatha Christie foi habilidade para jogar com a percepção dos leitores, deixando-os no escuro, só para, ao final, revelar que a verdade sempre esteve às vistas de todos. É incrível constatar, tantos anos depois, como o mistério ainda funciona bem.</p>
<p>Se por um lado minha segunda experiência com Assassinato no Campo de Golfe foi bem menos apaixonada que a primeira, também me permitiu perceber o que foi tão fascinante naquele primeiro contato, e acredito que possa fascinar outros leitores: a engenharia da trama, a técnica com que a autora segue enganando milhões de pessoas. Agatha Christie sempre vale a pena.</p>
<p><em>* Livro cedido em parceria com a Globo Livros</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h1>SOBRE O LIVRO</h1>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/Assassinato-campo-golfe-Agatha-Christie/dp/6580634294?_encoding=UTF8&amp;qid=1628807142&amp;sr=8-1&amp;linkCode=li3&amp;tag=literaturapol-20&amp;linkId=a6c6909a5a21e6333d3bfbc3e8774768&amp;language=pt_BR&amp;ref_=as_li_ss_il" target="_blank" rel="noopener"><img decoding="async" src="//ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?_encoding=UTF8&amp;ASIN=6580634294&amp;Format=_SL250_&amp;ID=AsinImage&amp;MarketPlace=BR&amp;ServiceVersion=20070822&amp;WS=1&amp;tag=literaturapol-20&amp;language=pt_BR" border="0" /></a><img loading="lazy" decoding="async" style="border: none !important; margin: 0px !important;" src="https://ir-br.amazon-adsystem.com/e/ir?t=literaturapol-20&amp;language=pt_BR&amp;l=li3&amp;o=33&amp;a=6580634294" alt="" width="1" height="1" border="0" /></p>
<p><strong>Título</strong>: Assassinato no campo de golfe<br />
<strong>Autora</strong>: Agatha Christie<br />
<strong>Tradução</strong>: Ive Brunelli<br />
<strong>Editora</strong>: Globo<br />
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<p><strong>SINOPSE</strong> – Monsieur Hercule Poirot recebe uma misteriosa carta de um milionário sul-americano, monsieur Renauld, dizendo precisar dos serviços de um detetive e pedindo sua ajuda. A carta não dá detalhes do caso, nem informa exatamente o que está perturbando monsieur Renauld, só menciona que sua vida está em perigo. Imediatamente Poirot, seguido de seu assistente, o inseparável Hastings, parte para Merlinville-sur-Mer, uma pequena cidade no litoral francês onde reside o milionário. Porém, ao chegarem à casa de monsieur Renauld, descobrem que ele foi assassinado naquela noite, em um crime brutal: Renauld fora apunhalado pelas costas, estirado ao lado de uma cova no campo de golfe da propriedade. Quem teria motivos para assassinar monsieur Renauld? Por que Poirot tem a estranha sensação de que muitas coisas lhe são familiares neste caso? Monsieur Renauld tem ou não tem uma amante? As provas não se encaixam, os testemunhos são contraditórios e Poirot tem algo a mais com que se preocupar: a presença de Giraud, um famoso detetive francês da Sûreté de Paris, que também acompanha o caso e tem sérias divergências quanto aos métodos empregados por Poirot. Em um dos mais complicados casos que já investigou, Poirot irá usar toda sua argúcia e suas “células cinzentas” para descobrir quem assassinou monsieur Renauld e desvendar todas as complexas circunstâncias desta ardilosa trama na qual, além do assassino, o amor também se revela.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/08/25/resenha-assassinato-no-campo-de-golfe-agatha-christie/">RESENHA | Assassinato no campo de golfe, Agatha Christie</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>RESENHA &#124; Primeira página &#8211; Conflito na Baiana, JM Costa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Aug 2017 12:51:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[nacionais]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[autor nacional]]></category>
		<category><![CDATA[conflito na baiana]]></category>
		<category><![CDATA[featured]]></category>
		<category><![CDATA[jm costa]]></category>
		<category><![CDATA[josué de oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As grandes cidades brasileiras oferecem matéria-prima de sobra para a ficção policial. O contexto da violência urbana como dado onipresente nas vidas de milhões de pessoas é terreno fértil para a criação de histórias sobre crimes. Primeira página – Conflito na Bahiana (Edição do autor, 168 páginas) extrai dessa realidade tão corriqueira quanto terrível o...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-19413 size-full" style="border:1px solid #c0c0c0;margin-top:0;margin-bottom:30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2017/08/collagejm.jpg" alt="" width="639" height="320" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;color:#000000;">As grandes cidades brasileiras oferecem matéria-prima de sobra para a ficção policial. O contexto da violência urbana como dado onipresente nas vidas de milhões de pessoas é terreno fértil para a criação de histórias sobre crimes. <strong>Primeira página – Conflito na Bahiana</strong> (Edição do autor, 168 páginas) extrai dessa realidade tão corriqueira quanto terrível o mote de sua trama.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;color:#000000;">Tudo começa quando uma menina de nove anos liga para a redação do jornal Diário Carioca e cai na linha da jovem repórter Clara Gabo. Apavorada, relata um crime que está testemunhando naquele momento pela janela de casa: a tortura de sua mãe por policiais militares. A repórter segue para a Bahiana, favela onde se desenrolou a cena, decidida a cobrir os fatos. Daí para frente, Clara precisará passar por cima de traficantes, policiais corruptos e seus próprios superiores para relatar a inconveniente verdade do que ocorreu no morro.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">x</span></p><div id="liter-1827521710" class="liter-adsense-artigos-placement liter-entity-placement" role="region" aria-label="Anúncios"><script async src="//pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-6441623549039847" crossorigin="anonymous"></script><insclass="adsbygoogle" style="display:block;" data-ad-client="ca-pub-6441623549039847" data-ad-slot="" data-ad-format="auto"></ins>
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</div>
<p style="text-align:justify;padding-left:90px;"><span style="font-size:1.45em;color:#808080;"><strong>Primeira página</strong> é um romance policial urbano onde não há um mistério a ser desvendado; o crime é cometido a céu aberto. A narrativa se concentra no que essa agressão desencadeia: uma frenética sucessão de acontecimentos que mantêm o leitor num constante estado de expectativa.</span></p>
<p><span style="color:#ffffff;">x</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;color:#000000;">O ritmo é veloz, com poucas pausas para respirar, e certas cenas parecem ter sido pensadas como parte de um filme de ação, com direito a sequestro, tiroteios e escutas ocultas. Ao mesmo tempo, a violência não é banalizada, e o autor J. M. Costa explora a turbulenta relação entre a polícia e a população das favelas cariocas para contar uma história sobre corrupção e a competição pela notícia.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;color:#000000;">Outro ponto de destaque é que o autor usa de sua experiência como jornalista em vários veículos cariocas. Costa retrata de maneira verossímil o ambiente das redações e as regras da produção de notícias, apresentando todas as etapas da transformação de um fato em reportagem, bem como os bastidores das manchetes exibidas nas bancas – e consegue fazê-lo de modo útil à trama, sem que essas informações apareçam gratuitamente. O pano de fundo do jornalismo também é uma ferramenta valiosa para o desenvolvimento da protagonista, Clara Gabo.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;color:#000000;">Jovem e competente, Clara precisa lidar com diversos dilemas, sendo o principal deles a complexa relação entre o ideal de relatar a verdade, lançando luz sobre acontecimentos escusos e denunciando criminosos, e seguir o jogo da notícia: a constante alimentação da narrativa para manter o interesse dos leitores, a disputa para se manter à frente de outros repórteres em busca de seus próprios furos. Estes elementos enriquecem a personagem, inserindo mais variáveis em sua jornada, tornando-a mais instigante.</span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-19414 size-full" style="border:1px solid #c0c0c0;margin-top:30px;margin-bottom:30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2017/08/primeirapagina2.jpg" alt="" width="360" height="508" /></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;color:#000000;">As ressalvas acerca de <strong>Primeira página</strong> são mais de forma do que de conteúdo e, de maneira geral, se caracterizam por certa falta de sutileza ao longo de todo o livro. Há diálogos um tanto forçados, e o autor busca, em certos momentos, emular uma coloquialidade – na narração e nas falas – que não soa natural. Há momentos em que o palavreado utilizado pelos personagens os faz parecer mais jovens do que são, o que causa certa estranheza.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;color:#000000;">A linguagem utilizada em certas passagens mais reflexivas é muito carregada no drama, e o mesmo pode ser dito de alguns dos eventos no final do livro (como certo reencontro), que me fez lembrar de cenas de novelas, um efeito que não me parece combinar com a história contada. O autor também pesa a mão ao enfatizar a fibra moral de Clara, sempre encontrando maneiras de trazer isso à tona, mesmo quando o fato já está claro.</span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="font-size:1.15em;color:#000000;">Apesar desses pequenos problemas – que, a bem da verdade, podem não incomodar a todos –, <strong>Primeira página</strong> tem fôlego e personalidade, se destacando na produção brasileira atual de romances policiais e mostrando que o gênero dialoga com os problemas sociais contemporâneos.</span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-9406 size-full" style="margin-top:30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/star3.png" alt="" width="75" height="22" /></p>
<p><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-19410 size-medium" style="border:1px solid #c0c0c0;margin-top:0;margin-bottom:0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2017/08/primeira_pagina.jpg?w=199" alt="" width="199" height="300" />Título</strong>: Primeira página &#8211; Conflito na Baiana<br />
<strong>Autor</strong>: JM Costa<br />
<strong>Ano</strong>: 2017<br />
<strong>Editora</strong>: (independente)<br />
<strong>Páginas</strong>: 168<br />
<a href="https://www.skoob.com.br/primeira-pagina-681367ed683715.html" target="_blank" rel="noopener">Este livro no Skoob</a></p>
<p><strong>SINOPSE</strong> – O telefone toca na mesa de uma repórter do Diário Carioca. Do outro lado, desespero. Uma garotinha de 9 anos narra, ao vivo, o crime brutal que vê pela janela de casa. A vítima é sua mãe. O diálogo tenso, a partir de então, dita o tom acelerado que acompanha o leitor do primeiro ao último capítulo de “PRIMEIRA PÁGINA – Conflito na Baiana”. Clara Gabo, repórter carioca em início de carreira, não mede esforços para atender ao pedido de ajuda da menina que lhe procurou por telefone. Mesmo que isso signifique contrariar orientações de sua chefia e colocar a própria vida em risco. À medida que avança na reportagem e publica seus desdobramentos na primeira página do jornal, Clara descortina uma série de fatos que podem comprometer a cúpula da segurança no Estado e até mesmo a sua carreira.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1576" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2014/09/josue2.png" alt="" width="600" height="133" /></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/08/10/primeira-pagina-conflito-na-baiana-jm-costa/">RESENHA | Primeira página &#8211; Conflito na Baiana, JM Costa</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>RESENHA &#124; Sombras na casa e outros mistérios, Alexandre Gazineo</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2017/06/20/sombras-na-casa-e-outros-misterios-alexandre-gazineo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Jun 2017 13:16:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[nacionais]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Alexandre Gazineo]]></category>
		<category><![CDATA[josué de oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[Sombras na casa e outros mistérios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Josué de Oliveira &#8211; Conheci o trabalho de Alexandre Gazineo em 2008 através do site Beco do Crime, que, durante cerca de cinco anos, foi um movimentado espaço de divulgação de contos policiais para autores independentes. Lá, o baiano Gazineo chamava a atenção por suas histórias protagonizadas por um personagem recorrente: o inspetor Gomes,...</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Josué de Oliveira</em> &#8211; Conheci o trabalho de Alexandre Gazineo em 2008 através do site <em>Beco do Crime</em>, que, durante cerca de cinco anos, foi um movimentado espaço de divulgação de contos policiais para autores independentes. Lá, o baiano Gazineo chamava a atenção por suas histórias protagonizadas por um personagem recorrente: o inspetor Gomes, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. Várias dessas narrativas foram compiladas no livro &#8220;Sombras na casa e outros mistérios&#8221; (Novo Século, 160 páginas), lançado em 2011.</p>
<p>São 14 contos, todos apresentando casos fechados da carreira de Gomes e sua equipe de investigadores. São Paulo, a maior cidade da América Latina, capaz de oferecer crimes dos mais inusitados aos mais bárbaros com a mesma facilidade, é o cenário.</p>
<p>De modo geral, as histórias têm uma estrutura semelhante: um homicídio ocorre, Gomes e seus auxiliares são acionados, encontram pistas estranhas e por vezes conflitantes, e a verdade emerge a partir da observação lógica do inspetor, que tem um olho atento sobretudo aos aspectos humanos de cada um de seus casos. Uma quantidade menor de textos mostra o protagonista em situações que disparam a memória de alguma investigação antiga e marcante, que é exposta por meio de diálogos ou mesmo simples recordação. Por trás de cada desfecho, há uma reflexão sobre aspectos da natureza contraditória dos diversos personagens cujos dramas são observados pelo meditativo Gomes.</p><div id="liter-1827521710" class="liter-adsense-artigos-placement liter-entity-placement" role="region" aria-label="Anúncios"><script async src="//pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-6441623549039847" crossorigin="anonymous"></script><insclass="adsbygoogle" style="display:block;" data-ad-client="ca-pub-6441623549039847" data-ad-slot="" data-ad-format="auto"></ins>
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</div>
<p>O conjunto de narrativas agradará sobretudo os apreciadores de uma literatura policial urbana, crua, de tom mais realista. Encontramos bons paralelos na longa série protagonizada por Harry Bosch, fenômeno do americano Michael Connelly, e a sempre relevante série do 87º Distrito Policial, escrita por Ed McBain. Entre os brasileiros, a maior proximidade é com Joaquim Nogueira e as histórias do policial Venício. Todos estes são exemplos do que acontece quando o mistério clássico encontra os grandes centros urbanos, com suas complexas dinâmicas sociais, a constante ameaça da violência, a promessa de que a ordem nunca poderá ser restaurada completamente.</p>
<p>No entanto, apesar da estética mais próxima do mundo real, na esteira do subgênero procedural, vários dos contos de Sombras na casa devem muito ao estilo clássico do policial. Neles, Gomes age como o detetive ponderado, racional, e as soluções sendo explicadas de modo didático e detalhado.</p>
<p>A qualidade geral dos contos é muito boa. A escrita de Gazineo é clara, acessível, e não chama atenção para si mesma sem motivo. O autor foi engenhoso na criação dos crimes que movimentam as tramas, alcançando um equilíbrio entre as histórias curtas e simples – como Aposta suicida e A confissão – e outras de maior extensão e complexidade – entre elas Assassino nas sombras, Insônia e Morte em 29 polegadas. O tom tende para o sério, combinando com a gravidade das situações retratadas, embora haja espaço para humor nas interações entre o inspetor e os investigadores Pelicano, Joca e outros. Há exageros pontuais, sobretudo em momentos mais dramáticos, mas o saldo final é de mais acertos do que erros.</p>
<p><em>Sombras na casa…</em> é uma obra breve e satisfatória, recomendada para quem deseja conhecer mais um explorador brasileiro do gênero do crime.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-9465 size-full" style="margin-top: 30px;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/star4.png" alt="" width="98" height="22" /></p>
<p><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-18866 size-medium" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2017/06/gazineo.jpg?w=197" alt="" width="197" height="300" />Título</strong>: Sombras na casa e outros mistérios<br />
<strong>Autor</strong>: Alexandre Gazineo<br />
<strong>Editora</strong>: Novo Século<br />
<strong>Páginas</strong>: 160<br />
<a href="https://www.skoob.com.br/sombras-na-casa-e-outros-misterios-160355ed178947.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Este livro no Skoob</a></p>
<p><strong>SINOPSE </strong>– Crimes e mistérios são rotina na vida do Inspetor Godofredo Gomes. Cruzando as ruas de São Paulo, Gomes desvenda a morte de uma noiva na véspera do casamento, é desafiado para um jogo de vida e morte por um psicopata e desvenda um crime na alta sociedade ajudado por uma moradora de rua apelidada de &#8216;Rainha&#8221;. A caçada vai começar!</p>
<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/06/20/sombras-na-casa-e-outros-misterios-alexandre-gazineo/">RESENHA | Sombras na casa e outros mistérios, Alexandre Gazineo</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>RESENHA &#124; O desaparecido, Dror Mishani</title>
		<link>https://literaturapolicial.com/2017/04/26/resenha-o-desaparecido-dror-mishani/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Apr 2017 16:16:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Avraham Avraham]]></category>
		<category><![CDATA[clube do crime]]></category>
		<category><![CDATA[companhia das letras]]></category>
		<category><![CDATA[dror mishani]]></category>
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		<category><![CDATA[israel]]></category>
		<category><![CDATA[josué de oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[o desaparecido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Compre o livro Compre o e-book &#160; Por Josué de Oliveira &#8211; Eu nunca tinha lido um romance policial israelense. Essa constatação me sobreveio no instante em que pus os olhos na capa de O Desaparecido (Companhia das Letras, 296 páginas), e me despertou interesse imediato pelo livro, escrito por Dror Mishani, acadêmico especializado em...</p>
<p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/04/26/resenha-o-desaparecido-dror-mishani/">RESENHA | O desaparecido, Dror Mishani</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://amzn.to/2Sqm2eT" target="_blank" rel="noopener"><em>Compre o livro</em></a><br />
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<p>&nbsp;</p>
<p><em>Por Josué de Oliveira</em> &#8211; Eu nunca tinha lido um romance policial israelense. Essa constatação me sobreveio no instante em que pus os olhos na capa de <span style="color: #ff0000;"><strong><a style="color: #ff0000;" href="https://amzn.to/2PhrmPR" target="_blank" rel="noopener">O Desaparecido</a></strong></span> (Companhia das Letras, 296 páginas), e me despertou interesse imediato pelo livro, escrito por Dror Mishani, acadêmico especializado em literatura de mistério que fez o salto da pesquisa para a prática com este romance de estreia, lançado em 2011. Mais dois vieram desde então, com direitos vendidos para 15 línguas.</p>
<p>Temos uma trama muito simples: numa quarta-feira à noite, Chana Sharavi vai à delegacia de Holon, no sul de Tel-Aviv, comunicar o desaparecimento de seu filho Ofer, de 16 anos. É atendida pelo experiente policial Avraham Avraham, que a aconselha a voltar para casa e esperar que ele retorne, final mais comum desse tipo de ocorrência. Mas não desta vez. Tem início então uma investigação para traçar o paradeiro do rapaz, que parece ter sumido no ar. Paralelamente, Zeev Avni, morador do mesmo prédio da família Sharavi e ex-professor de inglês de Ofer, desenvolve uma estranha relação com o caso e com a própria figura do adolescente.</p><div id="liter-1827521710" class="liter-adsense-artigos-placement liter-entity-placement" role="region" aria-label="Anúncios"><script async src="//pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-6441623549039847" crossorigin="anonymous"></script><insclass="adsbygoogle" style="display:block;" data-ad-client="ca-pub-6441623549039847" data-ad-slot="" data-ad-format="auto"></ins>
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<blockquote><p>&#8220;O Desaparecido é um livro em que pouquíssimas coisas acontecem. A narrativa funciona sobretudo pelo apuro no desenvolvimento dos personagens.&#8221;</p></blockquote>
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<p>O que no início promete ser um típico romance procedural, onde o policial lida com apenas mais um caso de sua carreira e os muitos aspectos técnicos de uma investigação oficial são apresentados, vai se revelando algo diferente ao tomar o caminho da exploração psicológica de Avraham Avraham e Zeev Avni.</p>
<p>Enquanto lia, não pude deixar de pensar na obra do brasileiro Luiz Alfredo Garcia-Roza, sobretudo <span style="color: #ff0000;"><strong><a style="color: #ff0000;" href="https://amzn.to/2U9FHSd" target="_blank" rel="noopener">Espinosa Sem Saída</a></strong></span>, de 2006. As semelhanças são tanto de estrutura, com o ponto de vista variando entre o protagonista e o suspeito, quanto de tom, intimista e meditativo.</p>
<p>Mishani tem uma escrita concisa, é pouco dado a descrições e está sempre externando os diálogos internos de seus personagens, revelando desejos frustrados e motivações escondidas. Há sempre uma reflexão ocorrendo nos bastidores das mais corriqueiras ações – ir para o trabalho, tomar café, dar banho num bebê. A janela que o autor abre para a mente de seus personagens, um policial pacato e um professor de classe média, os expõe como seres mais intrigantes do que parecem à primeira vista.</p>
<p>Avraham é um homem sem características marcantes, solitário, vive para o trabalho. Filho único, tem uma relação distante com os pais. Fuma muito. Mantém o inusitado hobby de encontrar soluções alternativas às apresentadas pelos detetives nos desfechos dos romances policiais que lê. Seus dias na polícia israelense são povoados por casos de resolução simples, geralmente sem violência, o que lhe faz acreditar, a princípio, que Ofer retornaria para casa durante a noite ou na manhã do dia seguinte ao registro da ocorrência. Acaba com um conflito interno pela culpa de não ter detectado logo que aquele desaparecimento seria diferente dos demais, sentimento que, ao longo da narrativa, o impulsiona, mas também o sabota. Trata-se – e este é um elemento importante para criação de empatia – de um profissional competente passando por um momento conturbado, lidando com as consequências de um erro, questionando a própria capacidade. Algo que todos experimentamos, a alguma altura da vida.</p>
<p>Por sua vez, Zeev Avni é desde o começo uma figura enigmática, buscando se aproximar dos envolvidos na investigação – de Avraham, em particular – e, ao mesmo tempo, aparentando saber mais do que revela a eles. Marido e pai, ele lida com seus papéis familiares com certo automatismo, os pensamentos sempre se afastando das ações presentes e vagando em direção a Ofer. Nos capítulos pelo ponto de vista do professor, Mishani estabelece um jogo de mostrar e esconder que deixa o leitor em suspenso, perguntando-se o que, afinal de contas, Zeev sabe, o que ele fez. Um outro ponto importante para o desenvolvimento do personagem é sua relação com o ato da escrita, algo que, quando surge na narrativa, o torna ainda mais complexo – e suspeito, dado o conteúdo do que escreve (e isso é tudo o que deve ser dito sobre isso, para não acabar em spoilers).</p>
<p>O Desaparecido tem boa escrita e personagens interessantes, e se apoia nesses elementos. É possível que muitos leitores tenham problemas com a trama, no entanto, e o paralelo com Garcia-Roza ajuda a entender isso. Assim como o brasileiro, Mishani passa muito tempo na cabeça dos protagonistas, e a criatividade exibida na investigação de suas motivações e dilemas não se reproduz na investigação do desaparecimento de Ofer. A própria figura do rapaz poderia ter sido melhor explorada, o que daria mais peso às indigestas descobertas do caso. Além disso, uma curiosa surpresa no final, embora funcione como conceito, dificulta um pouco mais o entendimento dos acontecimentos – o que, estranhamente, parece ser a exata intenção do autor.</p>
<p>O fechamento proposto pelo autor é incomum, e certamente dividirá opiniões, assim como todo o desenvolvimento reflexivo e pouco movimentado da história. Mesmo que cause estranheza a alguns leitores, vale atentar para o trabalho de Mishani com os personagens e a construção temática que culmina no desfecho. São estes os pontos fortes desta estreia literária. De minha parte, fico no aguardo por novos casos de Avraham Avraham.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>* Livro cedido pela Companhia das Letras</em></p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/04/26/resenha-o-desaparecido-dror-mishani/">RESENHA | O desaparecido, Dror Mishani</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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		<title>RESENHA &#124; Enquanto eles dormiam, de Donna Leon</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Josué de Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Apr 2017 13:08:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[resenha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Josué de Oliveira &#8211; Aos 17 anos, quando comecei a me interessar de verdade por literatura policial, descobri a coleção da Companhia das Letras dedicada ao gênero, com suas simpáticas lombadas coloridas. Na época, uma das coisas que mais me interessou foi a possibilidade de conhecer autores fora do eixo Inglaterra-EUA: brasileiros, franceses, escoceses,...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Josué de Oliveira</em> &#8211; Aos 17 anos, quando comecei a me interessar de verdade por literatura policial, descobri a coleção da Companhia das Letras dedicada ao gênero, com suas simpáticas lombadas coloridas. Na época, uma das coisas que mais me interessou foi a possibilidade de conhecer autores fora do eixo Inglaterra-EUA: brasileiros, franceses, escoceses, suecos, italianos, entre outros países representados na coleção. Apesar de Donna Leon ser americana, sempre enquadrei suas obras nessa última nacionalidade, uma vez que a autora vive na Itália desde 1981, é lá que ela ambienta a longa série protagonizada por Guido Brunetti, comissário da polícia de Veneza.</p>
<p>Da autora, já tinha lido o ótimo Morte no Teatro La Fenice e o fraco Vestido para Morrer. Minha terceira visita à obra de Leon foi este Enquanto Eles Dormiam (Companhia das Letras, 288 páginas). Na trama, Brunetti é procurado por Maria Testa, ex-freira de uma ordem conhecida por oferecer assistência a idosos doentes. Maria, que trabalhou na casa de repouso onde a mãe de Brunetti vive, suspeita que a morte de um grupo de idosos não se deu pelas causas naturais que os relatórios oficiais sugerem, e pede a ele que averigue quem teria se beneficiado por esses óbitos. Maria não dispõe de nada além da intuição, de modo que é impossível para Brunetti abrir um inquérito oficial. Mas isso não impede o comissário, que, aos poucos, vai se convencendo de que há algo de sinistro por trás das mortes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><span style="font-size: 1.35em; color: #808080;">Sexto livro da americana, Enquanto eles dormiam tem muitas qualidades. A escrita de Donna Leon é uma delas. Desde a ironia com que pontua os diálogos até as ótimas descrições da cidade, que trazem para perto a distante Veneza, a autora mostra segurança e habilidade no uso das palavras. A prosa soa sempre elegante e é agradável de se ler, um talento que autores de mistério, talvez na ânsia de fisgar pela trama, tendem a não cultivar. Aqui temos uma feliz exceção.</span></p><div id="liter-1827521710" class="liter-adsense-artigos-placement liter-entity-placement" role="region" aria-label="Anúncios"><script async src="//pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-6441623549039847" crossorigin="anonymous"></script><insclass="adsbygoogle" style="display:block;" data-ad-client="ca-pub-6441623549039847" data-ad-slot="" data-ad-format="auto"></ins>
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Outro ponto positivo tem a ver com algo muito próprio das extensas séries com um mesmo personagem, tão características da literatura policial: a mistura entre velho e novo, conhecido e inédito que faz parte da lógica destes livros. Seguindo a cartilha, a autora presenteia seus leitores com os elementos já familiares de sua obra – a rotina de Guido Brunetti na delegacia, sua vida familiar, a dinâmica com os coadjuvantes recorrentes, os comentários sobre a sociedade veneziana –, ao mesmo tempo que introduz novos contextos em que estes ingredientes se encaixam. Assim, além de um novo mistério a ser desvendado, há novos temas em questão e novos dilemas nos quais personagens já conhecidos se envolvem.</p>
<p>Parece o básico de toda série, mas pense em quão trabalhoso é construir esse básico: o equilíbrio entre agradar os leitores fiéis sem alienar os novos; escrever para os que são fãs de um modo que consiga atrair os que não são. Enquanto Eles Dormiam é o perfeito exemplar desse tipo de narrativa seriada que remete a Conan Doyle e Agatha Christie, onde todos os livros são uma porta de entrada para um universo de códigos e características próprias. O tipo de leitura leve, despretensiosa e acolhedora da qual todos precisamos vez por outra.</p>
<p>A construção temática da história também merece destaque. Leon está escrevendo sobre religião; esse é o tópico central do livro. Desde a identidade da pessoa que põe a trama em movimento – uma ex-freira – aos problemas enfrentados pela filha de Brunetti na escola – um padre professor de catequismo com o qual ela não se dá –, o assunto está diluído em diferentes dosagens ao longo de toda a narrativa. É o choque entre a visão religiosa do mundo, e dos muitos males cometidos em nome da religião, e o materialismo por vezes agressivo de Brunetti que conduz os acontecimentos da trama.</p>
<p>Mas vale uma ressalva importante, pelo menos para mim. Em muitos momentos, a discussão sobre religião que a autora coloca na boca dos personagens carece de profundidade, recorrendo e se apoiando fortemente nos estereótipos. Não há religiosos razoáveis no romance, nem mesmo um; todos são no mínimo pouco confiáveis, suspeitos, quando não estúpidos ou maus. Em Enquanto Eles Dormiam, crer – ser católico, mais especificamente – é um estado muito próximo da corrupção. Mas a generalização nas discussões de Brunetti e demais personagens não é de estranhar considerando o entendimento equivocado destes sobre o cristianismo. Um exemplo é a cena em que Brunetti, com ares de entendido, pergunta ao colega Vianelo se o cristianismo não é, afinal de contas, sobre a bondade humana. Qualquer um que saiba o mínimo de teologia cristã dará uma gargalhada diante de tal ideia.</p>
<p>A trama em si demora a engrenar, o que faz sentido, já que Brunetti não faz ideia se de fato algo fora do normal está acontecendo, e precisa primeiro entender onde está pisando. Isto certamente incomodará quem tem preferência por histórias mais ágeis. Leon leva o tempo que julga necessário preparando o cenário e apresentando os personagens do drama, e entrega um final sólido, mas que talvez perca alguns leitores pouco afeitos a seu estilo mais vagaroso pelo caminho.</p>
<p>Os que restarem, como eu, devem ficar satisfeitos, embora não impressionados. Enquanto Eles Dormiam não é brilhante, mas competente, e cumpre seu papel como um legítimo livro policial de série: nos guiar por um universo familiar de personagens e suas aventuras.</p>
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<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-9465" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2015/10/star4.png" alt="" width="98" height="22"></p>
<p><strong><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-17820 size-medium" style="border: 1px solid #c0c0c0; margin-top: 0; margin-bottom: 0;" src="https://almanaquedaliteraturapolicial.files.wordpress.com/2017/04/12956_gg.jpg?w=186" alt="" width="186" height="300">Título</strong>: Enquanto eles dormiam<br />
<strong>Autora</strong>:&nbsp;Donna Leon<br />
<strong>Tradução</strong>: Carlos Alberto Bárbaro<br />
<strong>Editora</strong>:&nbsp;Companhia das Letras<br />
<strong>Ano</strong>: 2010<br />
<strong>Páginas</strong>: 288<br />
<a href="https://www.skoob.com.br/enquanto-eles-dormiam-141697ed157589.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Este livro no Skoob</a></p>
<p><strong>SINOPSE</strong> – É início de primavera em Veneza. Com as temperaturas amenas, as hordas de turistas e as verduras e frutas no mercado de Rialto, parece chegar também uma onda de calma ao já não muito agitado submundo do crime da Sereníssima. Tomado pelo tédio, o <em>commissario</em> Guido Brunetti já perdia as esperanças de qualquer ação, até que recebe uma estranha visita. Mais uma vez retratando as peripécias desse atípico detetive &#8211; amante da boa mesa e da literatura e casado com uma intelectual filha de um conde veneziano &#8211; em meio a canais, praças e vielas que ele conhece como ninguém, Donna Leon nos conduz agora aos subterrâneos de uma misteriosa organização religiosa, protegida por figurões da cidade. Nesta trama cheia de intimidação e <em>dolce vitta</em>, Brunetti precisará de muita cautela e astúcia para aplacar a influência dos poderosos, inclusive de seu chefe, e proteger uma boa alma.</p>
<div class="saboxplugin-wrap" itemtype="http://schema.org/Person" itemscope itemprop="author"><div class="saboxplugin-tab"><div class="saboxplugin-gravatar"><img alt='Josué de Oliveira' src='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=100&#038;d=mm&#038;r=g' srcset='https://secure.gravatar.com/avatar/52bc4af4ff7ca85bd9e0fb0d7776a484006bc8530907d212a167a270a4a12376?s=200&#038;d=mm&#038;r=g 2x' class='avatar avatar-100 photo' height='100' width='100' itemprop="image"/></div><div class="saboxplugin-authorname"><a href="https://literaturapolicial.com/author/olveirajosue/" class="vcard author" rel="author"><span class="fn">Josué de Oliveira</span></a></div><div class="saboxplugin-desc"><div itemprop="description"><p>Formado em Estudos de Mídia pela UFF e vive em Niterói, RJ. Trabalha na área de desenvolvimento de livros digitais. Gosta de ler, escrever, ver filmes esquisitos e curte bandas que ninguém conhece. Atualmente, revisa seu primeiro romance policial.</p>
</div></div><div class="clearfix"></div></div></div><p>O post <a href="https://literaturapolicial.com/2017/04/03/critica-enquanto-eles-dormiam-de-donna-leon/">RESENHA | Enquanto eles dormiam, de Donna Leon</a> apareceu primeiro em <a href="https://literaturapolicial.com"></a>.</p>
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