O assassinato de um monge budista dá o tom do mistério em A Corte Infiltrada, de Andrea Nunes

Por Ana Paula Laux – A Corte Infiltrada é daqueles livros feitos para ler de uma tacada só de tão envolvente. Um romance policial de 2015 escrito por Andrea Nunes, promotora de Justiça em Recife, e que foi republicado dois anos depois pela Buzz Editora. Com isso o livro ganhou mais prateleiras nas livrarias, e eu espero que ultrapasse as fronteiras e chegue a outros países pois este é um dos melhores mistérios que li nos últimos anos.

 

 

A trama é engenhosa e muito bem construída. Em Brasília, um monge budista é achado morto num quarto de hotel, pouco antes de encontrar-se com o presidente do Supremo Tribunal Federal. Sua morte não levanta grandes suspeitas da polícia, porém chama a atenção de Edgar, um conhecido jornalista de política que decide investigar o caso com base no próprio feeling jornalístico. O que ele descobre é o fio de um novelo que, ao ser desenrolado, vai se mostrando mais perigoso do que jamais imaginou.

O leitor será completamente surpreendido com os desdobramentos da história, que mistura temas como tecnologia, budismo, política, corrupção, crime organizado e medicina, entrelaçados em um ponto em comum: descobrir se a morte do monge tem alguma conexão com o Supremo Tribunal Federal ou com figuras que transitam na esfera do poder em Brasília.

 

 

Um dos pontos mais legais da leitura foi aprender sobre preceitos e práticas do budismo. Isso acontece porque uma das protagonistas, uma quase monja que vive em um mosteiro na região metropolitana de Recife, irá ajudar Edgar a investigar o caso, já que o monge assassinado é justamente seu mestre e amigo.

 

“O plano mais ousado do crime organizado é tomar o poder central nesse país.”

 

Não há como prever as surpresas que Andrea Nunes cria pelo caminho. A autora é muito habilidosa com as palavras e consegue construir uma trama de suspense irresistível e sem pontas soltas. Leitura mais do que recomendada para quem gosta de um suspense com temas factuais e diálogos inteligentes.

* Livro enviado pela autora.

 

Título: A corte infiltrada
Autora: Andrea Nunes
Páginas: 291
Editora: Buzz
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SINOPSE – Um monge budista morre misteriosamente em um quarto de hotel em Brasília horas antes de um encontro com o presidente do Supremo Tribunal Federal, com pouca repercussão na grande mídia. Neurocientistas de um instituto de pesquisa do Recife desenvolvem uma poderosa máquina de estimulação magnética transcraniana. Um repórter investigativo, bonito e atraente como manda o figurino, faz pesquisas para uma matéria sobre o novo sistema de telecomunicações a ser implantado no STF, que será criptografado e à prova de escuta. A partir destes eventos aparentemente desconectados Andrea Nunes constrói a trama de “A Corte Infiltrada”, um intrigante thriller policial trespassado pela realidade brasileira atual, em que julgamentos do STF são acompanhados como telenovelas e o crime organizado perpetra barbáries medievais em presídios e nas ruas de todo o país para consolidar e expandir seu poder. Como é indispensável na literatura de mistério, os fatos sempre estão à frente do leitor. O enredo avança com engenhosa mobilidade de cenários, em uma sucessão de reviravoltas e revelações, pontuado por enigmas escondidos em mandalas e armas neurológicas, enquanto você é apresentado a revoluções deste novo milênio como o iBrain. Durante a leitura sua mente estará em permanente estado de arrebatamento graças à sedutora corte que a escrita de Andrea Nunes lhe faz. Afinal, a literatura ainda pode ser uma surpreendente mistura de realidade e ficção.

 

 

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Ana Paula Laux

Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book "Os Maiores Detetives do Mundo" (Chris Lauxx).

3 comentários em “O assassinato de um monge budista dá o tom do mistério em A Corte Infiltrada, de Andrea Nunes

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