resenha

CRÍTICA | Revival, de Stephen King


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Por Ana Paula Laux – “Revival” foi lançado em 2015 pela Suma de Letras, editora que tem publicado toda a obra recente de King no Brasil. A trama é um prato cheio para os curiosos e inquietos, um suspense mais sutil do que propriamente aterrorizante (o que é ótimo também). Uma das premissas flerta justamente com o sobrenatural, com a atividade “do outro lado da vida” e os perigos de se ultrapassar os limites do desconhecido.

Dois personagens norteiam a história. O narrador, Jamie Morton, menino que cresce para virar um músico problemático e itinerante, e Charles Jacobs, um carismático pastor obcecado pela eletricidade e por suas funções místicas. Seus caminhos se cruzam logo no primeiro capítulo, quando a sombra de Jacobs recai sobre o menino numa manhã de outubro de 1962. Ele é o novo ministro da cidade, e Jamie é uma criança observadora e curiosamente atraída pelo magnetismo daquele estranho, que se mostrará habilidoso em conversar com as crianças e adolescentes da pequena cidade de Harlow.

Uma fatalidade muda o destino do reverendo, levando-o a abandonar a Igreja Metodista, a cidade e a própria fé em Deus. Antes da primeira de muitas partidas, ele criará um forte laço com o menino Jamie, e os dois se encontrarão direta ou indiretamente durante vários momentos da vida de cada um. Com o passar dos anos, o ex-pastor se venderá como um fazedor de milagres, conduzindo experiências científicas como se fossem graças divinas que visam curar pessoas com doenças graves ou terminais.
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revival2“Qualquer dia pode ser o dia em que caímos, e nunca dá para saber”

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Após a intervenção, um dos problemas enfrentados por muitos fieis tratados são os efeitos colaterais que começam a se manifestar. As reações aparecem lenta e sorrateiramente, podendo suscitar tendências suicidas, manifestações de histeria e perda de memória. Seria esse o preço a pagar para quem tenta enganar a morte? Ou talvez exista uma realidade desconhecida após deixarmos esse planeta? Essa é a curiosidade maior em “Revival”, mistério apenas revelado nos momentos finais do livro.

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A eletricidade é a base de toda a vida?

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O tema da vida após a morte é um dos favoritos de Stephen King (1408, Cemitério Maldito, etc), até porque é também um dos maiores enigmas da humanidade. Seja através de manifestações como as EQM (experiências de quase-morte), onde a pessoa é “projetada” para fora do corpo após a morte e consegue “enxergar” o próprio corpo e descrever ações ao seu redor, seja pelas convicções pessoais de cada um, muitos acreditam que a nossa consciência tem uma natureza dualista, passando de um plano para outro quando morremos, um fenômeno não comprovado pela ciência.

Segundo o próprio Stephen King, uma das inspirações para “Revival” veio do clássico de 1818 de Mary Shelley, “Frankenstein”, que apresenta um dos personagens mais carismáticos da literatura de horror. Ele também dedica o livro a nomes como Bram Stoker e Peter Straub, mas é com uma frase de H.P. Lovecraft que abre o primeiro capítulo: “Não está morto o que pode em eterno jazer, Em estranhos éons, mesmo a morte pode morrer“. 

Com referências a X-Files, rock n’ roll e até Agatha Christie (O misterioso caso de Styles é um dos livros favoritos da irmã de Jamie), o clima de suspense de “Revival” cresce lentamente a cada capítulo, terminando com um final fantástico. Mais um bom livro do mestre do terror!
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revivalTítulo: Revival
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras Brasil
Páginas: 376
Ano: 2015
Este livro no Skoob

SINOPSE: Em uma cidadezinha na Nova Inglaterra, mais de meio século atrás, uma sombra recai sobre um menino que brinca com seus soldadinhos de plástico no quintal. Jamie Morton olha para o alto e vê a figura impressionante do novo pastor. O reverendo Charles Jacobs, junto com a bela esposa e o filho, chegam para reacender a fé local. Homens e meninos, mulheres e garotas, todos ficam encantados pela família perfeita e os sermões contagiantes. Jamie e o reverendo passam a compartilhar um elo ainda mais forte, baseado em uma obsessão secreta. Até que uma desgraça atinge Jacobs e o faz ser banido da cidade. Décadas depois, Jamie carrega seus próprios demônios. Integrante de uma banda que vive na estrada, ele leva uma vida nômade no mais puro estilo sexo, drogas e rock and roll, fugindo da própria tragédia familiar. Agora, com trinta e poucos anos, viciado em heroína, perdido, desesperado, Jamie reencontra o antigo pastor. O elo que os unia se transforma em um pacto que assustaria até o diabo, com sérias consequências para os dois, e Jamie percebe que “reviver” pode adquirir vários significados.

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