Uma dobra no tempo, de Madeleine L’Engle

Por Luciana da Cunha – Cada pessoa tem aquele livro que marcou a infância e que deu aquele empurrãozinho para transformá-la em um verdadeiro leitor: aquele que sente a liberdade criativa em ler histórias sem imagens e é facilmente instigado a começar o próximo capítulo (e o próximo, e o próximo…). Uma Dobra no Tempo é um destes livros que, embora não tenha sido tão popular no Brasil, marcou gerações de leitores pelos Estados Unidos.

A obra de fantasia e ficção científica de Madeleine L’Engle foi adaptada em 2010 para graphic novel por Hope Larson e esta versão chegou recentemente às livrarias brasileiras pela DarkSide Books, em uma edição que enche os olhos até mesmo de quem nunca ouviu falar do livro. Capa dura (lógico), com uma arte meio cósmica, meio mística, com muito brilho e degradê azul/lilás na borda das páginas. Se este não é o livro mais bonito na minha estante, eu não sei qual é.

A história é focada em Meg, seu irmão Charles Wallace e Calvin, um amigo da escola. Meg é uma pré-adolescente filha de dois renomados cientistas, seu pai, inclusive, é um funcionário do governo que está desaparecido há anos. Apesar disso, Meg não é nem um pouco popular na escola, onde é encarada como “esquisitona”. Enquanto isso, o pequeno Charles Wallace parece ter algum dom especial que o faz adivinhar o que se passa na cabeça da mãe e da irmã.

Durante uma tempestade, surge uma estranha mulher conhecida por Sra. Quequeé, que será uma das chaves para a aventura dos três. Acompanhada das Sras. Quem e Qual, elas direcionam Meg, Charles Wallace e Calvin em uma aventura com direito a viagens no tempo e planetas extragalácticos para evitar que uma mancha escura tome conta da Terra. De quebra, Meg vê a possibilidade de encontrar seu pai.

A narrativa pincela teorias bem avançadas de física para explicar alguns acontecimentos na história, claro que de forma bem rasa, mas ajuda a reforçar o tom de ficção científica da trama. O lado fantasioso fica principalmente por conta das três senhoras, que muito se assemelham à ideia que temos de bruxas.
x

Mesmo mergulhando fundo na ficção, há uma mensagem válida para o mundo real. A jornada pessoal pela qual passa cada personagem, principalmente Meg, é bem verossímil para pré-adolescentes que sintam que não se encaixam ou que ainda estejam tentando desvendar a sua identidade e o seu propósito. Aliás, o livro é ideal para o público infanto-juvenil, preferencialmente entre os 10 e 14 anos de idade.

x
O ritmo da história é bem fluido e é possível terminar a graphic novel em apenas um dia, mesmo com quase 400 páginas. No entanto, a agilidade na leitura dá um pouco a sensação de que algumas coisas foram apressadas e não ficaram muito bem amarradas. Eu senti falta, por exemplo, de valorizarem um pouco mais a existência das personagens das Sras. Quequeé, Quem e Qual. Queria saber mais sobre elas. Como não li o original, não sei se é uma falta da própria história ou se isso se perdeu na adaptação para quadrinhos.

Apesar de ser um livro de 1962, somente em 2018 ganhou uma adaptação para o cinema, com direção de Ava Duvernay e elenco de peso com Reese Witherspoon, Oprah Winfrey e Mindy Kaling. De alguma forma essa combinação não deu muito certo e o filme amarga algumas críticas bem negativas.

Para quem se interessar pela obra, há ainda outros quatro livros que compõem as aventuras de Meg e seus amigos. Mesmo com mais de 50 anos Uma dobra no tempo se mantém atual e tem tudo para continuar encantando gerações de novos leitores.

[Imagem: Luciana da Cunha]

Título: Uma dobra no tempo
Autora: Madeleine L’Engle
Ilustração: Hope Larson
Tradução: Érico Assis
Páginas: 392
Editora: Darkside Books
Este livro no Skoob

SINOPSE – Em Uma Dobra no Tempo, o pai de Murry e Charles Wallace, um exímio físico, está desaparecido há dois anos. A aventura começa quando, em uma noite de tempestade, eles recebem a visita de uma senhora peculiar, a sra. Queque é, que foi tirada de sua rota pelo vento enquanto viajava pelo tempo e espaço utilizando o tesserato. Na companhia de mais duas criaturas sobrenaturais, a sra. Quem e a sra. Qual, e de um garoto chamado Calvin O’Keefe, eles partem pelo universo em busca de qualquer indício do paradeiro do dr. Murry. Mas o que eles descobrem vai muito além disso: todo o universo está sendo atacado pela Escuridão, uma força perigosa que traga a luz das estrelas e dos planetas, em uma luta contra o mal que parece nunca acabar.

Compartilhe aqui!

Luciana da Cunha

Jornalista em Blumenau, desde os 15 anos se aventura pela blogosfera. Cinéfila desde a sua primeira VHS da Disney, escreve sobre o tema há nove anos. Descobriu a paixão pela literatura com romances policiais, mas hoje lê um pouco de tudo - principalmente tudo aquilo que vai parar nas telonas.

Um comentário em “Uma dobra no tempo, de Madeleine L’Engle

  • maio 9, 2018 em 2:38 pm
    Permalink

    O livro também deixa muitas pontas “desamarradas”. Não sei se a autora já previa fazer continuações.

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Error: Access Token is not valid or has expired. Feed will not update.
This error message is only visible to WordPress admins

There's an issue with the Instagram Access Token that you are using. Please obtain a new Access Token on the plugin's Settings page.
If you continue to have an issue with your Access Token then please see this FAQ for more information.