Mandrake, personagem de Rubem Fonseca, e os livros em que aparece

Mandrake, de Rubem Fonseca: conheça os livros com o personagem

Você já ouviu falar de Mandrake, de Rubem Fonseca?

O advogado criminalista criado pelo escritor é um dos personagens mais marcantes da literatura policial brasileira. Sedutor, cínico, inteligente e moralmente ambíguo, Mandrake se envolve com crimes, chantagens, assassinatos e os bastidores da elite do Rio de Janeiro.

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Ao contrário de Sherlock Holmes ou Hercule Poirot, Mandrake não é um policial nem um detetive particular. Ele é advogado criminalista, mas acaba atuando como investigador em diferentes histórias de Rubem Fonseca.

O personagem surgiu em 1967, no conto “O Caso de F.A.”, publicado no livro Lúcia McCartney. Depois, apareceu em contos de Feliz Ano Novo e O Cobrador e ganhou papel central em A Grande Arte. Mandrake voltou a aparecer em livros posteriores, incluindo E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto, Mandrake – A Bíblia e a Bengala e Calibre 22.

Neste artigo, você encontra os livros de Rubem Fonseca que apresentam Mandrake, desde sua primeira aparição até seu retorno em Calibre 22.

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Quem é Mandrake, de Rubem Fonseca?

Mandrake é o apelido de Paulo Mendes, advogado criminalista que atua no Rio de Janeiro.

Ele surgiu em “O Caso de F.A.”, conto de Lúcia McCartney, publicado em 1967. Desde o início, aparece associado a características que se tornariam marcas do personagem: inteligência, ironia, gosto por mulheres, vinhos, charutos e uma relação bastante particular com a ideia de justiça.

Mandrake não trabalha seguindo exatamente as regras de um investigador tradicional.

Como advogado criminalista, ele conhece os mecanismos da Justiça e sabe circular entre pessoas de diferentes classes sociais. Quando um caso chama sua atenção, porém, acaba investigando por conta própria.

Essa posição permite que Rubem Fonseca use o personagem para explorar a fronteira entre lei, crime e moralidade.

Em A Grande Arte, por exemplo, Mandrake investiga o assassinato de duas prostitutas e mergulha em uma trama envolvendo violência, corrupção e crime organizado. O romance é considerado uma das obras centrais da literatura policial brasileira.

Quais são os livros de Rubem Fonseca com Mandrake?

Mandrake aparece em sete livros importantes da obra de Rubem Fonseca, entre contos, romances e coletâneas:

  1. Lúcia McCartney — 1967
  2. Feliz Ano Novo — 1975
  3. O Cobrador — 1979
  4. A Grande Arte — 1983
  5. E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto — 1997
  6. Mandrake – A Bíblia e a Bengala — 2005
  7. Calibre 22 — 2017

É importante observar que Mandrake não é o protagonista de todos os livros. Em alguns deles, aparece em apenas um conto; em outros, como A Grande Arte e Mandrake – A Bíblia e a Bengala, ocupa um papel central.

1. Lúcia McCartney

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Publicado originalmente: 1967

Foi em Lúcia McCartney que Mandrake apareceu pela primeira vez.

O personagem surge no conto “O Caso de F.A.”, que apresenta o advogado criminalista e sua relação com o universo de crimes, mulheres, dinheiro e investigações que posteriormente se tornaria recorrente em sua trajetória.

O livro reúne contos ambientados principalmente no universo urbano e apresenta algumas das características que marcariam a literatura de Fonseca: linguagem direta, violência, erotismo, personagens marginalizados e uma visão crítica da sociedade brasileira.

Para quem quer conhecer Mandrake desde o começo, esta é a primeira leitura.

2. Feliz Ano Novo

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Publicado originalmente: 1975

Feliz Ano Novo é uma das obras mais conhecidas de Rubem Fonseca e também uma das mais controversas.

O livro foi censurado durante a ditadura militar, em 1976, sob a alegação de atentar contra a moral e os bons costumes. A proibição só foi derrubada posteriormente, e a obra voltou a circular legalmente no Brasil. A Academia Brasileira de Letras também registra a censura e a liberação da obra em 1985.

Mandrake aparece no conto “Dia dos Namorados”.

Na história, ele é contratado para ajudar um cliente envolvido em uma situação delicada e precisa usar sua habilidade para circular entre pessoas poderosas e criminosos.

O conto é importante porque mostra o personagem ainda em suas primeiras aparições, antes de ganhar o protagonismo de A Grande Arte.

3. O Cobrador

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Publicado originalmente: 1979

Mandrake também aparece em “Mandrake”, um dos contos de O Cobrador.

É mais uma aparição curta, mas importante para acompanhar a evolução do personagem antes de sua transformação em protagonista de um romance.

O conto coloca Mandrake novamente em contato com crimes e investigações e reforça algumas das características que já apareciam nas histórias anteriores.

A presença do personagem em O Cobrador é documentada por estudos sobre a obra de Fonseca e por textos críticos dedicados ao personagem.

O livro como um todo, porém, vai muito além de Mandrake.

O conto que dá título à coletânea acompanha um homem revoltado com a desigualdade social e decidido a se vingar de uma sociedade que considera responsável por sua situação.

4. A Grande Arte

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Publicado originalmente: 1983

Aqui Mandrake finalmente assume o papel central.

Em A Grande Arte, o advogado criminalista investiga o assassinato de duas prostitutas e acaba mergulhando em uma trama muito maior, envolvendo corrupção, crime organizado e um matador profissional especializado em facas.

A investigação leva Mandrake por diferentes regiões do Rio de Janeiro e até a outros países da América do Sul.

O romance é considerado uma das obras fundamentais de Rubem Fonseca e é frequentemente apontado como um marco do romance policial brasileiro. O Itaú Cultural destaca justamente Mandrake como um dos grandes elementos da obra.

A história também retoma personagens que aparecem em outros textos de Fonseca, incluindo Wexler e o delegado Raul, criando uma espécie de universo interligado dentro da obra do escritor.

Por que começar por A Grande Arte?

Se você quer conhecer Mandrake como protagonista, esta é provavelmente a leitura mais importante.

Aqui ele deixa de ser apenas uma presença recorrente em contos e se transforma no centro de uma grande trama policial.

5. E do Meio do Mundo Prostituto Só Amores Guardei ao Meu Charuto

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Publicado originalmente: 1997

Mandrake retorna nesta novela que mistura assassinatos, isolamento, literatura e relações amorosas.

A história é narrada em parte por Gustavo Flávio, escritor que já havia aparecido em Bufo & Spallanzani.

Mandrake atua como advogado de Gustavo Flávio enquanto uma série de assassinatos começa a envolver mulheres relacionadas ao escritor.

A obra também retoma personagens e relações de outros livros de Fonseca, criando conexões entre diferentes partes de sua produção literária. A Folha de S.Paulo destacou, na época do lançamento, justamente a presença de Mandrake e sua ligação com A Grande Arte e Bufo & Spallanzani.

A própria Nova Fronteira descreve o livro como uma trama de assassinatos protagonizada pelo criminalista Mandrake.

6. Mandrake – A Bíblia e a Bengala

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Publicado originalmente: 2005

O título já entrega o protagonista: desta vez, Mandrake está no centro de uma obra que reúne duas histórias de investigação interligadas.

Em uma delas, o advogado aceita procurar o namorado desaparecido de uma bibliófila.

Ao mesmo tempo, descobre que uma raríssima Bíblia de Mogúncia, impressa por Gutenberg, foi roubada da Biblioteca Nacional.

Quando o marido de uma antiga amante de Mandrake aparece morto, a situação piora: a arma do crime é justamente a bengala preferida do advogado.

Agora, além de investigar um crime, Mandrake também precisa lidar com o fato de ter se tornado suspeito.

7. Calibre 22

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Publicado originalmente: 2017

Mandrake voltou mais de uma década depois em Calibre 22, publicado pela Nova Fronteira em 2017.

Desta vez, o advogado é contratado para descobrir quem está por trás de uma série de assassinatos envolvendo o editor de uma famosa revista feminina.

O livro reúne 29 contos, e a história de Mandrake é apenas uma das narrativas da coletânea. A Nova Fronteira confirma o retorno do personagem e sua investigação sobre os assassinatos.

Calibre 22 também retoma temas recorrentes na obra de Fonseca, como desigualdade social, racismo, misoginia, homofobia, religião e violência.

É, portanto, uma leitura especialmente interessante para quem quer conhecer a última aparição de Mandrake em um livro de Rubem Fonseca.

Qual é a ordem dos livros de Mandrake?

Se você quer acompanhar o personagem desde sua primeira aparição, a ordem é:

  1. Lúcia McCartney — 1967
  2. Feliz Ano Novo — 1975
  3. O Cobrador — 1979
  4. A Grande Arte — 1983
  5. E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto — 1997
  6. Mandrake – A Bíblia e a Bengala — 2005
  7. Calibre 22 — 2017

Essa ordem acompanha a publicação dos livros em que Mandrake aparece, e não necessariamente a cronologia interna de todos os acontecimentos da vida do personagem.

Qual é o primeiro livro de Mandrake?

Lúcia McCartney, publicado originalmente em 1967.

Mandrake aparece pela primeira vez no conto “O Caso de F.A.”.

Por isso, quem quiser acompanhar toda a evolução do personagem deve começar por esse livro.

Qual é o melhor livro de Mandrake?

Isso depende do que você procura.

Para conhecer a primeira aparição do personagem, comece por Lúcia McCartney.

Para acompanhar Mandrake como protagonista de uma grande investigação policial, A Grande Arte é a escolha mais indicada.

E para conhecer uma das últimas histórias do personagem, vale chegar a Calibre 22, publicado em 2017.

Mandrake é um detetive?

Não exatamente.

Mandrake é um advogado criminalista.

Ele investiga crimes e assume uma função semelhante à de um detetive em várias histórias, mas sua profissão é o Direito.

Essa característica é justamente uma das coisas que diferenciam Mandrake de personagens como Sherlock Holmes ou Hercule Poirot.

Enquanto Holmes usa a observação e a dedução como investigador profissional, Mandrake conhece o mundo do crime a partir de sua atuação como advogado.

Mandrake foi inspirado em alguém real?

Não há uma confirmação simples de que Mandrake seja um retrato direto de uma única pessoa real.

O personagem, porém, tem algumas características que dialogam com a própria trajetória de Rubem Fonseca.

O escritor era formado em Direito e trabalhou como comissário de polícia, experiências que ajudaram a alimentar seu interesse por crimes, investigação e funcionamento das instituições. A Academia Brasileira de Letras registra essa passagem de Fonseca pela polícia antes de sua dedicação integral à literatura.

Além disso, o personagem Wexler tem uma relação curiosa com a vida de Fonseca. O advogado e antigo sócio do escritor, Wexler, confirmou que seu sobrenome serviu de inspiração para o personagem de A Grande Arte.

Mandrake virou série de TV?

Sim.

A história de Mandrake chegou à televisão em uma série produzida pela HBO, inspirada principalmente em A Grande Arte.

A adaptação foi dirigida por José Henrique Fonseca, filho de Rubem Fonseca, e teve Marcos Palmeira no papel de Mandrake.

A série ajudou a levar o personagem para um público que talvez ainda não conhecesse seus livros.

Rubem Fonseca e a literatura policial brasileira

Mandrake é apenas uma parte do universo policial criado por Rubem Fonseca.

O escritor trabalhou frequentemente com crime, violência, desigualdade, corrupção, sexualidade e conflitos urbanos, criando histórias nas quais as fronteiras entre criminosos, vítimas, policiais e pessoas respeitáveis nem sempre são claras.

A Academia Brasileira de Letras destaca justamente a presença de ação, suspense, violência e desigualdade social em sua obra.

Além de Mandrake, Fonseca criou personagens e narradores que aparecem em diferentes livros, retomando situações e relações de uma obra para outra.

Essa característica faz com que alguns leitores encontrem conexões entre seus romances e contos mesmo quando Mandrake não é o protagonista.

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PERGUNTAS FREQUENTES

Quem é Mandrake, de Rubem Fonseca?

Mandrake é o apelido de Paulo Mendes, advogado criminalista criado por Rubem Fonseca. O personagem surgiu no conto “O Caso de F.A.”, de Lúcia McCartney, em 1967.

Qual foi a primeira aparição de Mandrake?

Mandrake apareceu pela primeira vez em Lúcia McCartney, especificamente no conto “O Caso de F.A.”.

Quantos livros de Mandrake existem?

Mandrake aparece em sete livros importantes da obra de Rubem Fonseca: Lúcia McCartney, Feliz Ano Novo, O Cobrador, A Grande Arte, E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto, Mandrake – A Bíblia e a Bengala e Calibre 22.

Ele, porém, não é o protagonista de todos esses livros. Em alguns, aparece em apenas um conto.

Qual é a ordem dos livros de Mandrake?

A ordem de publicação é: Lúcia McCartney (1967), Feliz Ano Novo (1975), O Cobrador (1979), A Grande Arte (1983), E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto (1997), Mandrake – A Bíblia e a Bengala (2005) e Calibre 22 (2017).

Mandrake é policial?

Não. Mandrake é advogado criminalista, embora assuma funções de investigação em várias histórias.

Qual é o melhor livro de Mandrake?

A Grande Arte é uma das principais obras para conhecer o personagem porque ele ocupa o papel central da narrativa e conduz uma grande investigação criminal.

A Grande Arte é um livro de Mandrake?

Sim. É o primeiro romance de Rubem Fonseca protagonizado por Mandrake, publicado originalmente em 1983.

Qual é o último livro com Mandrake?

Calibre 22, publicado em 2017, traz novamente Mandrake em uma investigação envolvendo uma série de assassinatos.

Mandrake virou série?

Sim. O personagem foi adaptado para uma série da HBO inspirada em A Grande Arte, com Marcos Palmeira no papel principal.

CONCLUSÃO

Mandrake é um dos personagens mais interessantes da literatura policial brasileira justamente porque não é um detetive tradicional.

Ele é advogado, conhece os criminosos e os mecanismos da Justiça e se movimenta entre mundos diferentes sem nunca se encaixar completamente em nenhum deles.

Desde sua primeira aparição em “O Caso de F.A.”, em Lúcia McCartney, até seu retorno em Calibre 22, Mandrake atravessou cinco décadas da obra de Rubem Fonseca.

Para quem quer começar, A Grande Arte é uma excelente porta de entrada para o personagem. Para quem prefere acompanhar toda a trajetória, vale seguir os sete livros apresentados neste artigo.

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