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CRÍTICA | 50 anos de Jornada nas Estrelas: a viagem continua


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A FRONTEIRA FINAL – “Ninguém consegue escapar do inexorável campo gravitacional de Jornada das Estrelas”. Pode parecer exagero típico de fã, mas a frase oferece uma bela síntese da influência simbólica que esse ícone da cultura pop ainda exerce sobre gerações no mundo todo. E lá se vão cinco décadas desde que o primeiro episódio chegou às tevês dos lares norte-americanos mudando um braço da galáxia…

Jornada nas Estrelas não é só o seriado daquelas pessoas com uniformes coloridos colados e um sujeito com orelhas pontudas. Estamos falando de uma odisseia de 6 séries de tevê, inclusive de desenho animado, 13 longas para o cinema, histórias em quadrinhos, bonecos, fantasias, brinquedos e adereços, e incontáveis convenções temáticas…

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Para celebrar o marco de meio século, aterrissa nas livrarias 50 anos de Jornada nas Estrelas, de Edward Gross e Mark A. Altman (Globo Livros), um compêndio que deve atrair não apenas os trekkers de carteirinha, mas todos aqueles que se deixarem embalar pelos festejos. Não se trata de um dicionário, enciclopédia ou manual. O livro é o que os autores chamam de uma “história completa, não autorizada e sem censura”, rótulo que faria Spock franzir suas esquisitas sobrancelhas. Dois dos mais reconhecidos pesquisadores de Jornada nas Estrelas, Gross e Altman guiam os leitores pelos corredores ocultos da produção nos seus primeiros anos. Para isso, fazem falar mais de 120 entrevistados, entre criadores, atores, produtores, roteiristas, jornalistas e especialistas.

O resultado é um documentário para ser lido, com depoimentos se alternando para contar como foram as três temporadas originais desse sucesso televisivo. Mas passado meio século, ainda há o que revelar em Star Trek? Sim, há. Desentendimentos entre os criadores e os executivos da CBS, disputas de egos no elenco, soluções técnicas diante de restrições orçamentárias, trocas de roteiristas e ajustes na trama são bem explorados nas quase 400 páginas do volume. O primeiro, não se sabe de quantos, pois não há qualquer indicação no livro nem no site da editora.

Nos Estados Unidos, a obra saiu em dois tomos, cada um deles cobrindo 25 anos de história. Não se pode dizer que o mesmo se repita por aqui, já que o primeiro volume da versão original tem quase 600 páginas e o nacional, 390, e ele se restringe às primeiras três temporadas, as originais (1966-69). Um fã mais ardoroso poderia dizer que esse descompasso pode ser uma surpresa típica de aniversário. O doutor McCoy faria uma piada ácida, lançando um olhar sarcástico para seu amigo vulcano.

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Se você faz parte do clube dos fanáticos, o lançamento vai permitir compreender detalhes da produção. Imagine o que era cruzar o espaço todas as semanas na segunda metade dos anos 60, criando mundos, raças, conflitos intergaláticos sem os efeitos especiais que temos hoje. A criatividade atingiu velocidade de dobra naqueles dias. Basta ver como os técnicos criaram o efeito de teletransporte da Enterprise. Basta pensar como foi incrível criar uma língua de verdade para um povo – os klingon – e como foi corajoso desafiar alguns bons modos da cultura ocidental. Na cabine de comando, tínhamos um japonês, um russo, um escocês, uma oficial de comunicação negra e até mesmo um vulcano. Os phasers acertavam os inimigos mas não faziam sangrar, o espaço parecia navegável, havia amizade entre terráqueos e alienígenas, e a vida parecia poder ser longa e próspera.

Os problemas que se interpunham diariamente eram tantos que a noção que se tem é de que fazer um seriado semanal de ficção científica naquele tempo era como colocar um boeing para voar. Um desses é fácil. Vai pilotar a USS Enterprise…

Apesar disso, havia a serenidade e o ímpeto do capitão Kirk, a seriedade irresoluta da tenente Uhura e os misteriosos silêncios de Spock, lógico e no domínio completo de suas emoções.

Se você não é um trekker, há muito o que descobrir em “50 anos…”. Perceba, por exemplo, como Gene Roddenberry, a mente por trás de tudo, concebeu Spock originalmente, um demônio vermelho que se alimentava por uma placa na altura do estômago. Surpreenda-se com o fato de que o teletransporte foi mais uma solução orçamentária do que científica. Era mais barato fazer fachos de luz que pousar e decolar a nave!

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Enfim, aperte os cintos, pois a jornada está longe de terminar…

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medium_1665Título: 50 Anos de Jornada nas Estrelasmaxresdefault
Autores: Edward Groos, Mark A. Altman
Tradutor: Rodrigo Salem
Editora: Globo Livros
Páginas: 392
Este livro no Skoob

SINOPSE – Após seis séries de tv, treze longas e cinco décadas como ícone da cultura pop, Jornada nas estrelas se tornou uma das franquias mais duradouras e rentáveis de Hollywood. Na mesma época da estreia no Brasil de Star Trek: Sem fronteiras, nova adaptação para os cinemas, a Globo Livros lança o primeiro volume de 50 anos de Jornada nas estrelas. A coleção reúne histórias de bastidores narradas por pessoas diretamente ligadas à série, como seu criador Gene Roddenberry.

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