Detective Conan, um tributo aos mistérios clássicos

Por Raul Sousa – Eu defendo a tese de que os japoneses são o povo que melhor absorveram a literatura policial clássica. Há inúmeros autores no país que escrevem baseados em autores como Sir Arthur Conan Doyle, Agatha Christie, Ellery Queen. Há inclusive o Honkaku Mystery Writers Club of Japan, um grupo que procura criar livros baseados nos mistérios clássicos. Os japoneses também conseguiram adaptar as histórias de detetive para diversas mídias diferentes como videogames e animes.

 

Um dos animes mais longos do Japão é justamente Detective Conan, ultrapassando os 900 episódios, criado por Aoyama Gosho. Detective Conan foi lançado como mangá em 1994 e tornou-se anime em meados de 1996.

 

O mangá ainda está em produção, ultrapassando a casa dos 90 volumes e o anime ainda está sendo exibido na televisão japonesa. Além desses números colossais, Detective Conan lança filmes anualmente no Japão e o último lançado, Detective Conan: Zero The Enforcer, foi um sucesso de bilheterias japonesas, gerando mais de 70 milhões de dólares. Há mais de 20 filmes de Detective Conan.

Detective Conan conta a história de Kudo Shinichi, um estudante colegial que adora ler livros de mistério. Sua maior inspiração é Sherlock Holmes. Adquiriu esse hábito pois seu pai Kudo Yusaku é um conhecido autor de literatura policial. Shinichi ajuda a polícia a resolver vários casos. Ele, logo no primeiro episódio, resolve um caso de assassinato e chega a observar uma transação ilegal com homens vestidos de preto. Acaba caindo numa emboscada e os homens o forçam a tomar uma droga que ainda estava em fase de testes. Ele acaba sobrevivendo ao efeito da droga, porém volta a ter o corpo de um garoto de 7 anos. Shinichi tem medo que os homens de preto descubram que ele não morreu e que realizem uma caçada para matá-lo, prejudicando todos a sua volta. Por conta disso, ele decide usar o nome falso de Edogawa Conan (Edogawa em referência a Edogawa Rampo e Conan em referência a Arthur Conan Doyle). Após alguma confusão Conan consegue ir morar na casa de Mouri Ran, uma amiga muito próxima de Shinichi. Como ele queria evitar problemas para as pessoas próximas a ele, Conan evita contar a verdade para Ran e para qualquer outra pessoa. A principal meta dele é tornar o pai de Ran, Mouri Kogoro, um detetive famoso para que ele conseguisse novas informações sobre os homens de preto.

Há inúmeras referências a literatura policial, como o Café Poirot, professor Agasa (Agasa é como os japoneses falam o nome Agatha), o Inspetor Juzo Megure (clara referência a Jules Maigret), Haibara Ai (uma brincadeira com kanjis envolvendo duas detetives, Cordelia Gray e V. I. Warshawski), Hattori Heiji (referências a Zenigata Heiji, um detetive japonês que utilizava moedas para atacar criminosos, e ao Inspetor Hattori, personagem de uma série policial japonesa dos anos 80). Há menções a vários autores japoneses e até internacionais, sendo clara a tentativa de homenagear não apenas os autores mas a literatura policial como um todo.

 

 

O mangá traz ainda mais homenagens às histórias de mistério pois em cada volume há menção a um personagem que realizam investigações. Há um desenho do personagem, uma breve explicação sobre ele e uma recomendação de livro, conto, filme ou episódio. É possível ver personagens bem conhecidos como Sherlock Holmes, Poirot e Miss Marple mas também é possível conhecer novos personagens, inclusive japoneses, como Akechi Kogoro e Kindaichi Kosuke. James Bond, Hannibal Lecter, Richard Castle e Adrian Monk são apenas alguns outros personagens que aparecem ao longo dos volumes.

Detective Conan não é o único mangá/anime a trazer histórias de detetives mas, sem dúvidas, é o mais importante. É uma pena que Detective Conan não seja tão conhecido aqui no Brasil mesmo tendo um público bem abrangente na sua história. Foram lançados, em terras tupiniquins, três filmes da franquia Detective Conan: Detetive Conan, Detetive Conan: O Mistério do Atirador de Elite, Lupin III VS Detetive Conan: O Filme mas nenhum chamou a atenção do público. Detective Conan me fez dar um pontapé inicial para colecionar e conhecer livros policiais. Frequentemente recorro à lista de personagens detetivescos dos volumes dos mangás para procurar livros, séries e filmes. Recomendo bastante que leiam e assistam essa obra sensacional.

 

Raul Sousa é estudante de Economia, pesquisador e colecionador amador de obras policiais. Nas horas vagas joga jogos de detetive ou escreve.

 

 

 

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2 comentários em “Detective Conan, um tributo aos mistérios clássicos

  • outubro 14, 2018 em 4:49 pm
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    Sinceramente eu nunca gostei muito de animes policias acho que se deve ao meu trauma com o Death Note.
    Mas eu sempre achei estranho o brasil nunca tentar fazer uma série policial ou filme,e quando fazem,não faz sucesso ou fica ruim (que é no caso do filmedo xangô de baker Street)

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    • outubro 15, 2018 em 8:26 pm
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      Death Note, apesar de ter detetives e uma história meio “gato e rato”, não me agrada tanto do ponto de vista policial. Detective Conan me atrai justamente pq o foco são as histórias policiais e mesmo os elementos fantasiosos possuem explicações ligadas ao gênero. Quanto ao Brasil, recomendo escutar os episódios do Teatro de Mistério que iam na Rádio Nacional (estão no Youtube) e também ver a série do Espinosa que, em minha opinião, ficou muito boa.

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