CASO BTK | Máscara da Maldade: o líder de igreja que era um assassino em série

CASO BTK | Máscara da Maldade: o líder de igreja que era um assassino em série

 

Por Ana Paula Laux – De dia, escoteiro, pai de família e presidente da congregação da Igreja Luterana de Cristo. De noite, um serial killer que torturou e matou dez pessoas em 31 anos. Esse é Dennis Rader, assassino em série conhecido como BTK.

Rader foi preso em 2005 no Kansas, Estados Unidos, e está cumprindo dez sentenças de prisão perpétua. Ele escapou da pena de morte pois, quando cometeu os crimes, ela não era aplicável no Kansas. Com 74 anos, ele jamais sairá da cadeia porém está vivo, e é perturbador imaginar que alguém tão demoníaco realmente esteja entre nós.

O nome BTK é uma sigla em inglês para “amarrar, torturar e matar” (Bind, Torture, Kill), apelido que expressava o tormento pelo qual fazia suas vítimas passarem. De 1974 a 1991, Rader apavorou a cidade de Wichita ao caçar principalmente mulheres, sufocando-as e matando-as em sessões de tortura psicológica em suas casas. A polícia só conseguiu identificá-lo no século seguinte, quando a tecnologia estava mais desenvolvida e testes de DNA já eram métodos forenses disponíveis. Mas o que levou Rader mesmo à cadeia foi a sua própria língua: ele, enfim, cometeu um erro.

A Máscara da Maldade é o livro que conta a história do caso BTK, mas também das vítimas mortas por Rader. O livro foi escrito por quatro jornalistas que trabalharam num dos principais jornais da cidade, o Wichita Eagle, o mesmo que acabou recebendo várias correspondências do BTK durante os anos, já que ele gostava de se comunicar com a mídia em busca de publicidade.

A história é bem descrita pela equipe de jornalistas, tornando-se o diferencial do livro. Do primeiro crime, cometido em janeiro de 1974, quando Rader matou quatro pessoas da mesma família, ao momento em que é capturado trinta e um anos depois, o livro expõe o sentimento da polícia diante dos inúmeros fracassos por não ter identificado Rader antes, além de contar a história das vítimas e, sem muito esforço, ressaltar o monstro que ele foi enquanto estava livre.

A máscara da capa foi um item usado pelo próprio Rader como parte de uma fantasia sexual, quando ele se fotograva fingindo ser uma de suas vítimas. A escolha dessa máscara, e não de uma foto dele na capa, foi bastante acertada. Por mais que se precise entender como assassinos em série são e agem, a notoriedade geralmente dada a eles é condenável.

Com exceção de alguns erros de revisão, a edição da Darkside Books, que faz parte da coleção Crime Scene, está excelente. A história é contada de forma envolvente, mérito dos jornalistas/autores, com tradução de Eduardo Alves, e também de um dos principais policiais envolvidos na captura do BTK, Ken Landwehr, que chefiava a operação para prender Rader e que forneceu várias informações sobre o caso. Há também fotos ilustrando lugares e pertences de Rader apreendidos pela polícia.

É possível que um dos motivos para o BTK ter escapado por tanto tempo da polícia é que, quando ele cometeu os crimes na década de 1970, não havia ainda um entendimento sobre o perfil deste tipo de criminoso. Na série Mindhunter, onde a figura de Rader já apareceu em alguns episódios (e vai continuar aparecendo, ao que tudo indica), pode-se acompanhar o desenvolvimento do estudo de perfis comportamentais de serial killers, e como somente a partir dos anos 80 a polícia foi aprendendo a identificar comportamentos padrões.

Mesmo assim, Rader poderia ter ficado impune se não tivesse caído na armadilha que muitos criminosos caem: a de se gabar pelos crimes que cometeu. É como diz o velho ditado, o peixe morre pela boca…

 

Veja o vídeo

 

 

SOBRE O LIVRO

Título: BTK Profile: Máscara da Maldade
Autores: Roy Wenzl,, Tim Potter, L. Kelly, Hurst Laviana
Tradução: Eduardo Alves
Páginas: 416
Editora: Darkside Books
Compre o livro

SINOPSE – Ao longo de três décadas, um monstro aterrorizou os moradores de Wichita, Kansas. Um assassino em série que amarrava, torturava e matava mulheres, homens e crianças, iludiu a polícia por anos a fio enquanto se vangloriava de suas terríveis façanhas para a mídia. A nação ficou chocada quando os crimes de BTK ― a sigla para os termos em inglês bind, torture, kill, que eram sua assinatura criminosa ― foram enfim associados a Dennis Rader, um vizinho amigável, marido devoto e respeitado presidente da congregação de uma igreja local. O jornal Wichita Eagle fez a cobertura do assassino em série desde seu primeiro ataque, em janeiro de 1974. Desde então, o jornal, a polícia e o assassino desenvolveram um intricado relacionamento. Foi por meio do Eagle que BTK enviou sua primeira mensagem, em 1974. Foi para o Eagle que, alguns anos depois, o desesperado chefe de polícia de Wichita pediu ajuda para criar uma armadilha para o assassino. Foi em uma carta para o Eagle que BTK anunciou seu reaparecimento, em 2004. E foi por meio dos classificados do jornal que o chefe da investigação levou BTK a cometer um erro que resultou em sua captura, em 2005.