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Nêmesis, de Mark Millar


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Por Josué de Oliveira – Ouvi falar de “Nêmesis” (Panini, 2013) pela primeira vez quando a adaptação cinematográfica foi anunciada. Mais uma entre as muitas HQs do roteirista Mark Millar que estão a caminho das telonas, trilhando o mesmo caminho de O procurado, Kick-ass e do recente O serviço secreto. O cara também escreveu a celebrada série Guerra Civil, grande crossover dos heróis da Marvel que servirá de base para o terceiro filme do Capitão América.

Em Nêmesis, Millar repete a parceria com o ilustrador Steve McNiven, com quem já trabalhou em Guerra Civil. A história é a seguinte: um supervilão, intitulado Nêmesis, roda o mundo desafiando chefes de polícia. Se estes não conseguem vencê-lo, são mortos. Após uma sequência inicial, em que acompanhamos sua mais nova onda de terror na cidade de Tóquio, Nêmesis segue para Washington, visando seu próximo adversário: o chefe de polícia Blake Morrow, com quem parece ter contas pessoais de um passado distante para acertar.

O que há de policial nisso?, você deve estar se perguntando. Bem, de fato, dizer que Nêmesis é uma história policial stricto senso seria forçar a barra. Mas os elementos investigativos presentes na trama – Quem é Nêmesis? Por que ele faz o que faz? De onde vêm suas habilidades? – situam a HQ num terreno familiar aos fãs do gênero policial. Talvez thriller defina melhor, dada a forte pegada de ação. Sátira também descreve muitíssimo bem o que essa minissérie divertida e absurda tem a oferecer.

A ironia de Nêmesis começa em seu uniforme, de um branco imaculado, contrastando com sua maldade aparentemente gratuita. O protagonista se mostra imbatível desde o primeiro momento: pensa sempre dez passos a frente dos adversários e dá conta de matar qualquer um em seu caminho, usando armas sofisticadas ou as próprias mãos, de modo que ficamos realmente a nos perguntar se a Lei – representada lá pelo íntegro Morrow, mais recente adversário do vilão – tem alguma chance.

A obra é muito consistente em seu tom e jamais tenta ser o que não é: os trens lotados despencando para a destruição, as bases ultrasecretas e os planos geniais que nenhum ser humano na Terra seria capaz de arquitetar são aquela piscadela do autor indicando que nada ali deve ser levado muito a sério. Uma vez que nos acostumamos ao constante colorido das explosões e tiros – e a grande quantidade de tinta vermelha, utilizada você imagina para quê –, a coisa flui bem. Há exagero em cada página, e nisso consiste a unidade de Nêmesis.

A trama tem seus altos a baixos. A caçada a Nêmesis é sempre interessante, um jogo de gato e rato bem armado por Millar. A sacada final também é maneiríssima: o autor entrega uma solução satisfatória que foge de clichês e praticamente ri da cara do leitor. No entanto, apesar de tão bacana, a reviravolta final é um tanto sem pé nem cabeça, até mesmo para uma história espalhafatosa como Nêmesis, e tira muito do peso do que foi revelado. Sem spoilers para não estragar a experiência de ninguém, mas, se você já leu, sabe bem do que estou falando.

Para quem quer uma leitura divertida e despretensiosa, vale a pena dar uma conferida.

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josue2

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2 respostas »

  1. Muito boa a sua resenha, cara! Não são muitos que conseguem prender a atenção sem dar spoilers. Pelas descrições acho que Nêmesis tem um tom parecido com o de Kingsman – especialmente se há explosões coloridas! -, o que, honestamente, acho muito bom. Vou conferir!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Se Bruce wayne fosse psicopata, e tivesse se dedicado todas suas habilidades, dinheiro, experiências, revolta e inteligência para se vingar do mundo e da polícia, pela morte de seus pais, como seria? A revista parece um resposta zoada, bem humorada e insana de Millar a esta pergunta.

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