Dan Brown decepciona com descrições cansativas em Origem

Por Ana Paula Laux – Eu andava ansiosa para ler Origem porque sempre gostei de quase todos os livros do Dan Brown (Fortaleza digital é uma exceção). Confesso que ainda não tinha me cansado da fórmula das histórias, embora já tenha visto muita gente reclamar justamente disso. Minha percepção mudou com esse sétimo livro. Origem foi uma leitura cansativa e difícil de acabar.

Antes de explicar, aqui vai uma breve sinopse. O professor e simbologista Robert Langdon obviamente vai voltar para “salvar o mundo”, dessa vez tendo como cenário alguns dos lugares mais maravilhosos na Espanha. A origem do título é um dos temas abordados pelo futurólogo e gênio da computação Edmond Kirsch, um dos personagens mais divertidos do livro. Kirsch alega ter encontrado a resposta para duas perguntas fundamentais para os seres humanos: de onde viemos e para onde vamos, e que as respostas vão desestabilizar as religiões no mundo. Kirsch é um personagem que lembra muito o Steve Jobs tanto pela genialidade quanto por ser um cara despojado, bilionário, visionário, irônico, e por aí vai. Acredito que o autor se inspirou nele para criá-lo.

Tem também a participação de uma protagonista, a belíssima Ambra Vidal, diretora do museu Guggenheim, em Bilbao. Ambra vai ajudar Langdon a revelar o segredo de Kirsch, uma informação científica que muitos querem ver sepultada, digamos assim.

O que se segue é uma história que fica parecendo cada vez mais escrita para o cinema, com picos de ação entre os capítulos. O livro inclusive começa muito lento e só depois do capítulo 24 dá uma engrenada. Há descrições exaustivamente detalhadas de pontos turísticos na Espanha, trechos  que acabaram ficando cansativos e que eu confesso ter lido só por cima em alguns momentos. Sem esquecer, é claro, que a crítica à religião e ao extremismo religioso estão lá, como sempre, presentes na trama, algo que talvez tenha se tornado uma muleta para o Dan Brown.

Não há dúvida que ele continua conseguindo contar uma boa história e continua fazendo com que a gente devore o livro, em maior ou menor velocidade. Não se pode tirar esse mérito dele, e eu acho que Dan Brown será sempre reconhecido e cobrado por isso nos livros que lançar, porque foi ele quem popularizou a fórmula e, afinal de contas, são 200 milhões de livros vendidos em 56 línguas.

Não posso deixar de acrescentar que eu tive poucas surpresas com essa história (acho que me surpreendi mesmo só com uma revelação). Mas, principalmente, fiquei decepcionada com o final porque esperava uma explicação mais convincente, algo mais substancioso, algo que fizesse mais sentido, e não achei que foi esse o caso. Ainda assim, é daqueles livros que vamos abrindo as imagens no Google o tempo todo para visualizar a história através dos monumentos, museus e igrejas que ele descreve. E claro, dá vontade de conhecer todos esses lugares, então tem o seu grau de diversão.

Só complementando que esse livro foi lançado pela Editora Arqueiro, que lançou todos os outros livros do Dan Brown no Brasil, e eu imagino que deva virar filme em breve com o nosso amigo Tom Hanks. Pelo que pesquisei, Dan Brown viveu na Espanha quando era adolescente e talvez essa seja a homenagem dele ao país que o acolheu no passado.

 

Confira também a resenha em vídeo

 

Título: Origem
Autor: Dan Brown
Tradução: Alves Calado
Editora: Arqueiro
Páginas: 432
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SINOPSE – De onde viemos? Para onde vamos? Robert Langdon, o famoso professor de Simbologia de Harvard, chega ao ultramoderno Museu Guggenheim de Bilbao para assistir a uma apresentação sobre uma grande descoberta que promete “mudar para sempre o papel da ciência”. O anfitrião da noite é o futurólogo bilionário Edmond Kirsch, de 40 anos, que se tornou conhecido mundialmente por suas previsões audaciosas e invenções de alta tecnologia. Um dos primeiros alunos de Langdon em Harvard, há 20 anos, agora ele está prestes a revelar uma incrível revolução no conhecimento… algo que vai responder a duas perguntas fundamentais da existência humana. Os convidados ficam hipnotizados pela apresentação, mas Langdon logo percebe que ela será muito mais controversa do que poderia imaginar. De repente, a noite meticulosamente orquestrada se transforma em um caos, e a preciosa descoberta de Kirsch corre o risco de ser perdida para sempre. Diante de uma ameaça iminente, Langdon tenta uma fuga desesperada de Bilbao ao lado de Ambra Vidal, a elegante diretora do museu que trabalhou na montagem do evento. Juntos seguem para Barcelona à procura de uma senha que ajudará a desvendar o segredo de Edmond Kirsch. Em meio a fatos históricos ocultos e extremismo religioso, Robert e Ambra precisam escapar de um inimigo atormentado cujo poder de saber tudo parece emanar do Palácio Real da Espanha. Alguém que não hesitará diante de nada para silenciar o futurólogo. Numa jornada marcada por obras de arte moderna e símbolos enigmáticos, os dois encontram pistas que vão deixá-los cara a cara com a chocante revelação de Kirsch… e com a verdade espantosa que ignoramos durante tanto tempo.

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Ana Paula Laux

Jornalista. Trabalha com curadoria de informação, gestão de mídias sociais e criação de conteúdo digital. Em 2014, lançou o e-book "Os Maiores Detetives do Mundo" (Chris Lauxx).

28 comentários em “Dan Brown decepciona com descrições cansativas em Origem

  • outubro 29, 2017 em 10:12 pm
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    Olá Anna,

    obrigado pelo seu sincero comentário a um livro que é já considerado uma grande obra. Pode revelar-nos a revelação que lhe surgiu na leitura do livro? como refere ter tido: “acho que me surpreendi mesmo só com uma revelação”. Obrigado. FS

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    • outubro 30, 2017 em 3:03 pm
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      Oi! Então… se eu disser revelo um baita dum spoiler rs… mas é lá pro final do livro, uma situação que eu “não vi” que estava acontecendo e que ajudou a explicar algumas atitudes…

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    • novembro 13, 2017 em 1:45 pm
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      Nossa parece que estava lendo minha própria impressão do livro!! Sou muito fã do Dan Brown, mas confesso que este foi o único que desapontou. Esperava bem mais. Achei previsível (com uma única exceção e creio que a mesma que você, já que foi uma revelação bem pesada no livro), cansativo em vários trechos, emfim, concordo com tudo o que disse.

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    • janeiro 2, 2018 em 2:50 am
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      Ola! Para evitar Spoiler, por favor parem de ler agora!!
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      Bom, lá vai: eu havia sacado antecipadamente que o winston era o regente e tb o monte… a unica parte que me surpreendeu foi a situação entre o bispo e o rei. Será que esta é a mesma situacao que voce tb se surpreendeu? Obrigado!

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      • fevereiro 16, 2018 em 11:50 am
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        Acredito que dos fãs essa foi a única surpresa que tiveram hahahhaha. Winston tava muito na cara né, tudo que aconteceu beneficia a apresentação do Ed ficava claro que fora tramado pelo W. Embora eu tenha achado forçado a explicação mesmo assim.

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    • março 20, 2018 em 9:38 pm
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      Graças a Deus! Eu pensei que estava cometendo uma heresia, ao achar as narrativas extensas e cansativas demais. Quanto a ter poucas surpresas, confesso que só me surpreendi com o Código Da Vince, porque seguindo o algorítimo, eu já sabia quem era o vilão e o que ele pretendia, pois só mudam os cenários e os nomes, o esqueleto da história é o mesmo. Bem, me parece que ele deu uma mudada nesse último livro. Mas uma mudada para pior. Aliás, eu posso tentar tirar uma dúvida com você a respeito dos livros e filmes? Por que fizeram um filme de “O Código da Vinci”, “Anjos e Demônios” e “Inferno”, e simplesmente ignoraram “O Símbolo Perdido”? Você saberia me responder? Belo Blog. Quem sabe um dia você não possa resenhar o meu Romance “O Banqueiro de Deus?”

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  • outubro 30, 2017 em 12:00 am
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    Li o livro e concordo com voce. A leitura de Brow é sempre fluida, porem está repetitiva. Talvez por isso o livro que mais gosto é Ponto de Impacto e Fortaleza Digital. Mas é claro que esperamos pelo próximo. Abraços.

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  • novembro 9, 2017 em 6:45 pm
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    ‘Origem’ é bem mais do mesmo, tanto que quase não consegui terminar de ler também. Isso sem mencionar o fato de que as revelações são bem decepcionantes. ‘Ponto de Impacto’, ‘Fortaleza Digital’ e ‘Anjos e Demônios’ são os melhores livros dele, os mais originais. O resto é uma tentativa de copiar a trama de ‘O Código Da Vinci’. Como você disse, vale pela leitura e pelos conhecimentos que os livros passam, mas o fator “originalidade” ficou para trás faz tempo.

    Curiosamente, até ‘Inferno’ eu não tinha sentido o peso dessa estrutura repetitiva das tramas do Dan Brown, mas em ‘Origem’ ela ficou dolorosamente óbvia. Incomodou bastante. Achei o livro exclusivamente comercial, para ser honesto…

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  • janeiro 5, 2018 em 1:37 am
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    Lá vem spoiler, recomendo q não leia adiante:

    Oi, Ana! Como vai?
    Na verdade, fiquei com uma dúvida: revelado que o Winston era o famoso regente, tendo arquitetado a morte de seu inventor, Edmon Kirsh, de forma a tornar seu invento mundialmente conhecido, não seria um tanto quanto arriscado, para não dizer inconsequente, o fato de Winston ter tramado todo cenário meticuloso sem que se precavesse em descobrir a senha lhe dava acesso à inovação científica de seu mestre? É como se tivesse confiado na intuição da Langdon ou de Ambra, como se apostasse num caminho absolutamente incerto, sob pena de colocar tudo a perder… o acesso à senha estava longe de sua alçada. Matando seu precursor estaria, inevitavelmente, alarmando a comunidade, angariando seguidores, mas inevitavelmente dando brecha para que a possível revolução científica fosse soterrada para todo o sempre.

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    • fevereiro 16, 2018 em 12:01 pm
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      Fiquei com a mesma dúvida que vc. E havia pensado em duas soluções.
      1: considerando que o ed sabia que ia morrer e que poderia ser a qualquer instante, afinal nove dias como o W previu e um período bem arriscado, é possível que o ed já tivesse programado para a apresentação acontecer de um jeito ou de outro caso ele morresse, afinal ele não ia deixar sua maior descoberta morrer com ele. W sabendo que n havia riscos no seu plano usou Robert para ganhar mais visibilidade ao narrar a corrida pela revelação.

      2: W já sabia a senha e estaria preparado para ajudar Langdon se ele n conseguisse. Ou seja W mentiu q não sabia fazendo Robert andar por aí feito idiota para ganhar mais visibilidade para a descoberta.

      Também tem a hipótese extra: o autor esqueceu desse furo. Isso é sempre possível.

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  • janeiro 8, 2018 em 2:58 pm
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    cansativo, decepcionante, se o livro é chato, imagine o filme !

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  • fevereiro 16, 2018 em 11:45 am
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    O livro foi bastante previsível, inclusive na revelação final dos motivos é dos culpados. Não queria que usasse o velho clichê, mas já esperava. A única revelação que me pegou de surpresa foi a tal da “inclinação” hehe. Mas não tinha importância relevante na trama. O resto dava pra prever bem fácil. Essa fórmula para o sucesso que Dan Brown usa já me cansou.

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    • março 8, 2018 em 1:50 pm
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      É, a “inclinação” foi uma surpresa, talvez a única de fato. Mas, como não teve função narrativa nenhuma, deve ter sido só pra chocar, mesmo.

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  • fevereiro 21, 2018 em 10:46 pm
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    Eu só li o livro agora e concordo com você, achei bem abaixo dos outros e até por isso vim ver outras opiniões. Os livros dele sempre foram muito fluídos e acelerados. Guardadas as devidas proporções, parecia que estava lendo as descrições da Terra Média de J. R. R. Tolkien ou da Torre Negra de Stephen King, livros que devorei e gostei, mas que precisam de muita, muita paciência pelos muitos pormenores que tornam a leitura cansativa.

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  • março 8, 2018 em 1:48 pm
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    Esse aqui é o momento fraco de Dan Brown, hein… Foi muito fácil matar a charada sobre o verdadeiro culpado e também achei a leitura arrastada e cansativa em vários trechos. Fora que eu achei que a narrativa ficou muito espalhada entre diversos personagens: os 2 agentes da Guardia, o Bispo, o Rei, o Principe, o Almirante, etc…
    E, mais um detalhe:
    SPOILER ABAIXO!!!!!
    .
    .
    .
    .
    Então foi o “Regente” que contratou o assassino de jeans e boné pra matar o Rabino, certo? E o muçulmano, idem? O Rabino foi morto por que queria revelar ao mundo o teor das descobertas? O “Regente” monitorava as comunicações entre o Bispo e o Rabino?
    Achei meio forçado!!

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  • março 26, 2018 em 8:12 pm
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    Amei esse livro, quero ver no cinema logo

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  • março 28, 2018 em 12:51 am
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    Caramba, e eu achando que essa opinião tinha sido minha e que eu tava sendo injusta no meu “achismo” a respeito do livro. Mas concordo em absolutamente tudo com você.
    Esse livro foi complicado terminar de ler. Nunca li tanto por cima quanto esse.

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  • abril 10, 2018 em 8:44 pm
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    Vocês notaram que os três religiosos viram um vídeo com final cataclísmico e todos que viram esse final morreram? Será que W não mudou o final da apresentação para manipular a humanidade a aceitar a evolução científica e na verdade o final não será aquela maravilha e sim uma catástrofe. Matando todos os que viram o verdadeiro vídeo só o próprio W poderia manipular o final da apresentação e criar uma nova religião a favor da ciência!!

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  • abril 12, 2018 em 4:05 am
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    Contém Spoiler!

    Que coisa tosca W ter encomendado a morte dos religiosos! Era só ter sequestrado eles por algumas horas ou dias para evitar a revelação, não precisava matar.
    Furada Langdon e Âmbar passarem mais da metade do livro procurando loucamente uma senha que Ed poderia muito bem ter deixado com W. Não fez sentido Ed ter confiado cegamente em W para articular todo o plano da revelação mas não ter deixado a apresentação em si, arriscando tudo nessa busca que poderia ter dado errado.
    Outra dúvida, porque W ordenou a prisão de Garza e depois mudou de ideia e soltou eles?

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  • abril 12, 2018 em 9:17 am
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    Essa foi exatamente a sensação que tive. Descrições cansativas, acessos ao Google para visualizar as obras de arte e os locais descritos etc. De fato, muito me surpreendeu a relação do Bispo com o Rei. Parabéns pela sinopse.
    Uma dúvida: Como W recrutou Marco, o fisioterapeuta?

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  • maio 11, 2018 em 2:42 pm
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    se nao gostou de fortaleza digital faz sentido que nao tenha gostado desse… mas para mim foi tao brilhante quanto! acho que é mais pelo apego tecnologico… nem todos tem

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  • maio 18, 2018 em 12:27 am
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    Tbm não gostei desse livro.Já li todos os livros do Dan Brown e esse foi o que eu menos gostei.Arrastado,pulei várias “descrições” dos monumentos Espanhois e achei que Winston estava envolvido desde sempre.Achei forçada e sem base a “revelaçao”.O Dan Brown agora se vê preso em que todos os seus livros tem que ser polêmico e tem de criar uma grande história e nem sempre é possível fazer isso.

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  • junho 24, 2018 em 5:36 pm
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    Eu sinceramente não gostei de Dan Brown, sequer consegui terminar ” o Código da Vinci” seu livro mais famoso, ainda tentei ler “simbolo perdido” mas é de uma bobajada tamanha. Seus livros só falam de um “segredo top-master-plus” que se revelado vai acabar com o mundo, parece mais enredo do Scooby Doo, por favor me poupe. Ó, na Boa Dan Brown, vai ler Machado de Assis e ver se aprende como contar uma história.

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  • julho 30, 2018 em 1:43 pm
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    Engraçado. Eu penso justamente o contrário. Para mim, Origem tem o segundo melhor começo, ficando atrás somente de Inferno. As descrições detalhadas e extremamente convidativas a conhecer o Guggenheim são fascinantes. Difícil alguém ler os primeiros capítulos e não sentir vontade de ir no dia seguinte para Bilbao.
    Em relação à evolução do livro, se for cansativa, deve ser após a metade. Porque em dois dias li praticamente metade dele e só quero ler cada vez mais (não falo isso por mérito, apenas para elucidar a vontade alucinante de engolir o livro por ser sensacional).

    Enfim, estou na metade e para mim está sendo um deleite.

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