Como um jantar com Conan Doyle e Oscar Wilde mudou a história da literatura

Como um jantar com Conan Doyle e Oscar Wilde mudou a história da literatura
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O Signo dos Quatro foi o segundo romance policial de Arthur Conan Doyle com Sherlock Holmes. Publicado em fevereiro de 1890, a trama traz Mary Morstan (futura esposa do Doutor Watson) procurando Holmes para que descubra o que aconteceu com seu pai, morto há dez anos.

Um fato curioso sobre este livro é sua origem. Ele foi escrito a convite do norte-americano Joseph Stoddart, editor de uma revista publicada na Filadélfia no final do século 19, a Lippincott’s Monthly Magazine. Stoddart conheceu Conan Doyle em um jantar em Londres, no luxuoso hotel Langham, onde acontecia um sarau literário oferecido pelo editor. A data era 30 de agosto de 1889.

Dois anos antes, Doyle já tinha publicado Um Estudo em Vermelho, o primeiro romance policial com Sherlock. Porém, nem todos conheciam o personagem e seu reconhecimento ainda era moderado entre os leitores. Stoddart estava em Londres a procura de novos nomes para publicação.

Em meio a quitutes e taças de vinho, ele convidou Doyle para escrever mais um romance com Sherlock pois havia gostado do primeiro livro com o detetive. Stoddart queria mais histórias com Holmes no mercado norte-americano, que já conhecia contos publicados em antologias piratas. Foi por esse motivo que Sherlock acabou sendo mais conhecido antes nos Estados Unidos do que na Inglaterra.

Doyle teria respondido ao editor:

“Vou dar a Sherlock Holmes outra coisa para desvendar. Percebo que todos os que leram o livro querem saber mais sobre aquele jovem.”

 

Havia outros convidados proeminentes neste jantar. Um deles era Thomas Patrick Gill, membro do Partido Parlamentar Irlandês e ex-editor de revista. O outro era Oscar Wilde.

Em 1889, o extravagante Wilde já reunia alguns prêmios literários mas era um autor mais conhecido pela sociedade londrina. Stoddart também estendeu um convite de publicação a ele, que por sua vez acabou escrevendo O Retrato de Dorian Gray, seu único romance e que viria a ser seu trabalho mais conhecido.

Edição de O Signo dos Quatro  publicada em 1892 (Wikipedia).

 

O Signo dos Quatro foi publicado na Revista Mensal de Lippincott em fevereiro de 1890 (também com o título de The Problem of the Sholtos). A edição impressa saiu em outubro daquele mesmo ano, com ilustrações do britânico Charles H. M. Kerr.

O jantar acabou entrando para a história, tanto que existe até uma placa comemorativa no local onde aconteceu o encontro. Os livros de Doyle e de Wilde foram publicados no mesmo ano de 1890. Diz a história que os dois deram boas risadas naquela noite de sarau literário.

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SOBRE O LIVRO

Título: O Signo dos Quatro
Autor: Arthur Conan Doyle
Tradução: Maria Luiza X. de A. Borges
Páginas: 184
Editora: Zahar
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SINOPSE – O signo dos quatro traz Sherlock Holmes confiante como nunca, e irresistivelmente atraído pelas agruras de sua cliente Mary Morsan, uma bela mulher atormentada por um passado nebuloso. Com seu caro Watson, Holmes vê-se às voltas com uma aventura repleta de elementos dramáticos: as figuras misteriosas de um pigmeu e um homem com perna de pau, uma caçada desesperada, um cão digno de confiança e uma furiosa perseguição pelo Tâmisa. Essa edição traz texto integral e 22 ilustrações originais. A versão impressa apresenta capa dura e acabamento de luxo.